BRASÍLIA (DF) – O Brasil completou um ano fora do Mapa da Fome, indicador da Organização das Nações Unidas (ONU) que reúne países onde mais de 2,5% da população enfrenta subnutrição. Apesar do avanço, cerca de 6,5 milhões de brasileiros ainda vivem em situação de insegurança alimentar grave.
Especialistas ouvidos pela Agência Brasil afirmam que a manutenção desse resultado depende da continuidade de políticas públicas nas áreas de geração de emprego, distribuição de renda, saúde, educação, saneamento básico e segurança alimentar.
Segundo o pesquisador Lucas de Almeida Moura, do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Combate à Fome, as ações que permitiram ao país sair novamente do Mapa da Fome precisam se tornar permanentes.
“Alcançar esse marco é resultado da integração entre diversas políticas públicas. Agora, é necessário manter e aprimorar essas estratégias”, afirmou.
De acordo com o pesquisador, o combate à fome não depende apenas da oferta de alimentos, mas também da ampliação do acesso à renda, educação, água tratada, saneamento e oportunidades de trabalho.
Um estudo desenvolvido por Moura criou um índice multidimensional para medir a insegurança alimentar no Brasil. Os dados, referentes ao período de 2018 a 2022, mostram que os maiores índices de insegurança alimentar concentram-se principalmente nos estados do Norte e Nordeste.
Para a secretária extraordinária de Combate à Pobreza e à Fome do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS), Valéria Burity, o objetivo é garantir que toda a população tenha acesso permanente à alimentação adequada e saudável.
Plano Brasil Sem Fome
Entre as iniciativas apontadas como responsáveis pela melhora dos indicadores está o Plano Brasil Sem Fome, que reúne ações voltadas ao fortalecimento da agricultura familiar, reajuste da alimentação escolar, ampliação das cozinhas comunitárias e políticas de geração de emprego e renda.
A professora Semíramis Domene, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e diretora do Instituto Fome Zero, destaca três fatores que contribuíram para a redução da fome: combate à desigualdade, fortalecimento das políticas de proteção social e incentivo à produção de alimentos pela agricultura familiar.
Segundo ela, programas como o Bolsa Família, o Cadastro Único, o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) tiveram papel importante na melhoria dos indicadores.
O economista Daniel Duque, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV), também atribui a redução da fome ao fortalecimento da transferência de renda, à desaceleração dos preços dos alimentos e à melhora do mercado de trabalho nos últimos anos.
Para ele, manter o crescimento do emprego e ampliar as políticas públicas voltadas à segurança alimentar serão fatores decisivos para que o Brasil permaneça fora do Mapa da Fome e reduza ainda mais o número de pessoas em situação de insegurança alimentar.
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