Fenômeno previsto para o segundo semestre pode ser o mais intenso em 140 anos e expõe falhas na preparação climática do país
A Organização Meteorológica Mundial (OMM), braço das Organizações das Nações Unidas (ONU), alertou que o Oceano Pacífico deve aquecer ainda mais em 2026, com a formação de um Super El Niño no segundo semestre. O fenômeno pode ser o mais intenso em até 140 anos e deve provocar impactos diretos no clima do Brasil.
Na prática, isso significa mais extremos: períodos de seca prolongada em algumas regiões, chuvas intensas em outras e aumento de temperaturas acima da média.
Super El Niño pode intensificar eventos extremos no país
O El Niño altera a circulação atmosférica e desloca padrões de chuva. No Brasil, o efeito costuma ser desigual: enquanto o Norte e o Nordeste enfrentam seca, o Sul tende a registrar chuvas acima do normal.
Com o aquecimento global, esses eventos estão mais frequentes e intensos. A combinação amplia o risco de desastres como enchentes, queimadas e crises hídricas.
Amazônia entra em zona de risco com seca e incêndios
Na região amazônica, o cenário preocupa. A redução das chuvas pode favorecer queimadas, aumentar a degradação ambiental e pressionar comunidades que dependem diretamente dos rios.
A seca também afeta transporte fluvial, abastecimento e produção local, com impacto direto na economia e no custo de vida.
Especialista aponta falha estrutural na resposta do poder público
O presidente do Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental, Carlos Bocuhy, afirma que o país ainda não está preparado para lidar com eventos extremos dessa magnitude.
Segundo ele, a falta de integração entre políticas públicas agrava o problema. Áreas como meio ambiente, recursos hídricos e planejamento urbano operam de forma isolada, o que dificulta respostas rápidas e eficazes.
Falta de prevenção amplia impacto de desastres
Sem planejamento, os efeitos tendem a se repetir. Enchentes ocorrem sem sistemas de contenção adequados. Secas avançam sem estratégias de adaptação. Incêndios se espalham com pouco controle.
O resultado é previsível: aumento de danos ambientais, prejuízos econômicos e impacto direto na população.
Mudança climática torna fenômenos mais frequentes
O avanço das mudanças climáticas intensifica o ciclo do El Niño. O fenômeno, que antes ocorria em intervalos maiores, agora aparece com mais frequência e força.
Isso reduz o tempo de recuperação entre eventos extremos e aumenta a pressão sobre cidades e ecossistemas.
SAIBA MAIS
O El Niño é um fenômeno natural caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico. Esse aquecimento altera o clima em várias partes do mundo.
Quando ocorre em intensidade elevada, como no caso de um Super El Niño, os efeitos são amplificados. No Brasil, isso pode significar desde falta de água até excesso de chuvas, dependendo da região.
Para a população, o impacto aparece de forma direta: aumento de preços, dificuldade de abastecimento, problemas de saúde e riscos de desastres.
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