Tarifaço dos EUA começa a valer; ZF de Manaus deve sentir impacto limitado

A tarifa adicional de 25% dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros entrou em vigor nesta quarta-feira (22). Dados da Sedecti indicam impacto direto reduzido na Zona Franca de Manaus.

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MANAUS (AM) – A tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre milhares de produtos brasileiros entrou em vigor nesta quarta-feira (22), às 1h01 (horário de Brasília). Embora a medida aumente a pressão sobre as exportações brasileiras, dados da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (Sedecti), no Amazonas, indicam que o impacto direto sobre a Zona Franca de Manaus (ZFM) deve ser limitado.

A sobretaxa atinge cerca de 3 mil produtos brasileiros e decorre de uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana.

Com a nova cobrança, o Brasil passa a figurar entre os países mais afetados pela política tarifária dos Estados Unidos.

O que muda para o Amazonas

Apesar do alcance nacional da medida, os efeitos diretos sobre o Polo Industrial de Manaus (PIM) tendem a ser reduzidos.

Levantamento da Sedecti mostra que os Estados Unidos representam apenas 6,5% das exportações da Zona Franca de Manaus. Além disso, as vendas externas correspondem a apenas 1,7% do faturamento total do modelo econômico.

Na prática, os produtos potencialmente afetados representam menos de 0,11% do faturamento total da Zona Franca de Manaus, segundo os cálculos da Sedecti.

Outro fator que reduz os impactos é a balança comercial do Amazonas. O estado importa mais produtos dos Estados Unidos do que exporta para o mercado norte-americano.

Em 2025, a Zona Franca de Manaus faturou US$ 40,90 bilhões (R$ 227,67 bilhões), crescimento de 11,02% em relação ao ano anterior. O Polo Industrial reuniu 553 empresas e gerou cerca de 131 mil empregos diretos.

Alguns setores seguem sob atenção

Embora o impacto geral seja considerado reduzido, alguns segmentos podem enfrentar dificuldades.

Segundo o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), Antônio Silva, motocicletas e componentes, dispensadores de papel-moeda, lentes, preparações para bebidas e madeira estão entre os produtos mais expostos à nova tarifa. Nesses casos, o aumento dos custos pode reduzir a competitividade das exportações.

Já o setor eletroeletrônico e de informática — responsável por 37,7% do faturamento do PIM, equivalente a R$ 86,38 bilhões em 2025 — deve sentir efeitos reduzidos. A maior parte da produção abastece o mercado interno, com participação pouco significativa nas exportações para os Estados Unidos, segundo a Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros).

A lista de aproximadamente 700 produtos brasileiros isentos da sobretaxa também beneficia o Amazonas. Castanha-do-pará e madeira, por exemplo, ficaram fora da nova cobrança.

Modelo voltado ao mercado interno reduz exposição

Criada em 1967, a Zona Franca de Manaus nasceu com foco na industrialização e no abastecimento do mercado brasileiro. Segundo o professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Cleiton Maciel, essa característica reduz a exposição do modelo econômico às mudanças tarifárias promovidas por outros países.

A Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) acompanha as discussões conduzidas pelo governo federal sobre a resposta às novas tarifas americanas.

Mesmo assim, representantes do setor produtivo recomendam cautela. A avaliação é que uma eventual valorização do dólar poderá elevar os custos de produção, já que a indústria instalada no Polo Industrial depende da importação de insumos.

Efeitos são maiores para o restante do país

No cenário nacional, o impacto tende a ser mais amplo.

O governo federal estima que a nova tarifa afete cerca de 18% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos, embora mais de 2.100 produtos estejam excluídos da medida, entre eles carne, café, petróleo, laranja, suco de laranja e componentes aeronáuticos.

A Amcham Brasil calcula que mais de US$ 11 bilhões em exportações sofram prejuízos. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) trabalha com projeção semelhante, enquanto o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) estima impacto de aproximadamente US$ 5,8 bilhões.

O governo dos Estados Unidos justificou a adoção das tarifas citando, entre outros fatores, questionamentos relacionados ao Pix e à política ambiental brasileira. O governo brasileiro contesta essas alegações e afirma que elas não encontram respaldo nos dados oficiais.

As negociações entre Brasília e Washington continuam sem acordo formal. Ainda não se sabe com certeza os efeitos para os setores exportadores brasileiros.


Fontes

Levantamentos da Sedecti, Suframa, Fieam, Eletros, USTR, Amcham Brasil, CNI, Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).


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Marcelo Torres
Marcelo Torreshttps://portalmeuamazonas.com.br
Marcelo Torres é jornalista, com atuação voltada à cobertura de cotidiano e temas de interesse público. Com olhar atento aos fatos e compromisso com a apuração responsável, prioriza informação clara, contextualizada e de relevância para o leitor.

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