MANAUS (AM) – O avanço dos veículos elétricos no Brasil começa a refletir também no Amazonas e abre novas perspectivas para o Polo Industrial de Manaus (PIM). Com o aumento da demanda por automóveis eletrificados, especialistas apontam que a indústria instalada na capital pode ampliar sua participação na cadeia produtiva. Isso pode ocorrer por meio da fabricação de componentes, sistemas eletrônicos e soluções voltadas à mobilidade elétrica.
Dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) mostram que o Amazonas passou de 459 veículos leves eletrificados comercializados em 2022 para 2.863 unidades em 2025. Esse é um crescimento de aproximadamente 524% em três anos. Em âmbito nacional, apenas no primeiro semestre de 2026 foram emplacados 215.023 veículos leves eletrificados. Houve uma alta de 125% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O crescimento é impulsionado pela ampliação da oferta de modelos, chegada de novas montadoras, expansão da infraestrutura de recarga e pela busca dos consumidores por menor custo de operação.
Polo Industrial pode fornecer componentes
Embora Manaus não possua montadoras de automóveis, o Polo Industrial reúne empresas com experiência na fabricação de produtos eletroeletrônicos. Da mesma forma, há produção de componentes, cabos, conectores, baterias, sistemas de informática e equipamentos tecnológicos.
Essa estrutura pode permitir que o PIM participe da cadeia da eletromobilidade produzindo itens como módulos eletrônicos, inversores, carregadores, chicotes elétricos, sensores, softwares embarcados e soluções para infraestrutura de recarga.
A estratégia é vista como uma oportunidade para ampliar a participação da indústria amazonense em um mercado de alto valor agregado. Além disso, não depende da instalação de fábricas de veículos completos.
Empresas já investem no setor
Os primeiros investimentos já começam a aparecer em Manaus.
A NeoPower vem expandindo a rede de eletropostos para abastecimento de veículos elétricos na capital, criando demanda por serviços de engenharia, manutenção e instalação especializada.
Já a Livoltek instalou uma fábrica no Polo Industrial de Manaus com investimento anunciado de R$ 70 milhões. A unidade produz inversores para sistemas fotovoltaicos e também prevê fabricar carregadores para veículos elétricos, baterias de lítio e motores elétricos destinados a embarcações.
Outro exemplo é a unidade da BYD Indústria de Baterias, responsável pela produção de módulos acumuladores utilizados em ônibus elétricos da empresa. O caso demonstra que o PIM já participa da cadeia da mobilidade elétrica.
Mercado deve impulsionar novos negócios
Além da fabricação de componentes, a expansão dos veículos elétricos pode estimular novos segmentos ligados à instalação de carregadores. Também pode beneficiar a manutenção de sistemas de alta tensão, gestão de energia, reciclagem de baterias e desenvolvimento de softwares.
Especialistas também apontam oportunidades para motocicletas elétricas, bicicletas eletrificadas e motores destinados a embarcações, setores que dialogam diretamente com a realidade da Amazônia.
Mesmo sem anúncios de montadoras de carros elétricos para Manaus, o Polo Industrial reúne estrutura produtiva, capacidade tecnológica e centros de pesquisa. Esses fatores podem ampliar sua participação em um mercado que cresce de forma acelerada no Brasil.
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