Os impactos das tecnologias digitais na saúde mental dos estudantes passaram a fazer parte da rotina da maioria das escolas brasileiras. É o que revela a pesquisa TIC Educação 2025, divulgada nesta terça-feira (4), que aponta que 80% das instituições de ensino fundamental e médio promoveram debates sobre o tema ao longo deste ano.
O percentual representa um crescimento de 18 pontos percentuais em relação a 2024, quando 62% das escolas abordavam o assunto.
O levantamento foi realizado pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), vinculado ao Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), com 2.404 gestores de escolas públicas e privadas, em áreas urbanas e rurais.
Escolas ampliam discussões sobre educação digital
Além da saúde mental, outros temas ligados ao uso das tecnologias ganharam espaço nas escolas em 2025.
Segundo a pesquisa, 75% dos gestores se reuniram com pais e responsáveis para discutir o uso de tecnologias digitais, ante 60% no ano anterior. Já 86% promoveram conversas com professores e demais profissionais da escola sobre o assunto, contra 68% em 2024.
Também cresceram os debates sobre:
- uso seguro, crítico e responsável das tecnologias digitais (de 56% para 75%);
- inclusão da educação midiática no currículo escolar (de 46% para 67%).
Falta de participação das famílias ainda é desafio
Apesar do avanço, a pesquisa aponta obstáculos para ampliar ações voltadas à educação digital.
Entre as escolas que desenvolvem atividades sobre o tema, 75% dos gestores apontaram a baixa participação das famílias como principal dificuldade. Em seguida aparecem a falta de materiais e recursos educacionais (64%).
Nas instituições que ainda não promovem essas ações, a principal barreira é justamente a ausência de materiais de apoio (77%), seguida da baixa participação das famílias (66%) e da qualidade da infraestrutura tecnológica (65%).
Celulares seguem restritos em parte das escolas
A pesquisa também investigou as regras para o uso de celulares nas instituições de ensino.
Segundo o levantamento:
- 51% das escolas não permitem que os estudantes levem celulares pessoais;
- 40% autorizam a entrada dos aparelhos, mas exigem que permaneçam guardados durante as aulas;
- entre as escolas que permitem o uso do celular, 66% autorizam o aparelho em atividades pedagógicas.
O uso educacional dos dispositivos é mais frequente nas regiões Norte e Nordeste e em escolas localizadas em áreas rurais, onde há maiores limitações de acesso a computadores.
Inteligência artificial já faz parte da gestão escolar
Pela primeira vez, a TIC Educação analisou o uso de ferramentas de inteligência artificial (IA) generativa nas escolas.
O estudo aponta que 53% dos gestores escolares já utilizam IA em atividades administrativas, financeiras ou pedagógicas.
As principais aplicações são:
- criação de conteúdos visuais e materiais de comunicação (83%);
- elaboração de convites e comunicados (80%);
- tradução, revisão e resumo de textos (71%).
Apesar da adoção crescente da tecnologia, apenas 22% das escolas possuem orientações formais para o uso da inteligência artificial em atividades de ensino e aprendizagem.
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