Educação Financeira
Augusto Bernardo Cecílio
O que economizamos no nosso dia a dia faz a diferença no final do mês. O consumidor deve se mostrar inteligente não somente na hora de comprar produtos de valores elevados, como bens duráveis ou automóveis, mas também nos gastos rotineiros e aparentemente sem importância.
As estatísticas indicam que cerca de 70% da renda familiar do brasileiro é direcionada às despesas de alimentação, transporte e habitação. Saber comprar e economizar é algo que você deve fazer todos os dias, além de pagar suas contas em dia para evitar despesas desnecessárias com multas e juros.
Pague todas as dívidas antes de entrar em novas, considerando sempre a possibilidade de economizar algum dinheiro. Lembre-se de que emergências não mandam aviso e, sempre que possível, opte pelo pagamento à vista, negociando descontos.
Outra questão: querer nem sempre é poder. Muitas vezes, aquilo que desejamos passa a ser uma necessidade, algo sem o qual acreditamos não poder viver. Um carro novo chega acompanhado de prestações, IPVA, seguro, abastecimento e manutenção.
Despesas Diárias
As despesas diárias apresentam muitas armadilhas. Antes de ir às compras, é importante preparar uma lista para evitar gastos desnecessários. Ir ao supermercado, à feira ou ao açougue não é diversão.
No quesito moradia, tente não comprometer mais de 1/3 do seu orçamento com aluguel e condomínio, sem se esquecer de incluir os gastos com IPTU na sua planilha.
Nos gastos domésticos, economize água e energia. Ao usar o telefone, ligações demoradas e interurbanas devem ser feitas em horários especiais, e os celulares devem ser usados somente quando necessário.
É importante que tanto o casal quanto os filhos participem do estabelecimento de metas e objetivos de poupança e investimento.
Preocupante é a facilidade que as pessoas têm em se endividar. O que elas esqueceram é que, ao deixarem de poupar e comprometerem boa parte do orçamento, deixam de se preparar para eventualidades, como desemprego, doença e reformas.
Poupança e reserva para emergências
A forma mais simples de evitar o endividamento é efetivamente poupar e manter uma reserva para situações de emergência. Diante da maior facilidade de acesso ao crédito — uso de cartão de crédito, limite do cheque especial, antecipação de restituição do imposto de renda e décimo terceiro salário — muitos consumidores não resistem e acabam optando pelo financiamento de suas compras.
Curiosamente, quando o poder aquisitivo das pessoas aumenta, aumentam também os gastos. O inverso, porém, não acontece. Acreditando que a situação seja temporária, muitas pessoas optam por equilibrar o orçamento por meio da contratação de empréstimos, que, de temporários, passam a ser permanentes.
Um erro frequente é incluir o limite do cartão de crédito e/ou cheque especial como parte integrante da renda, o que implica juros altos.
Não é preciso muito para começar: sempre é possível separar 5% do que você ganha para poupar; basta adiar, por algum tempo, outro gasto menos importante.

Augusto Bernardo Cecílio é Auditor fiscal, professor e articulista do Portal Meu Amazonas
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