Carlos Santiago analisa privilégios, abusos de poder e desigualdades no Brasil em artigo de opinião
Os poderosos dos poderes da República Brasileira brigam por mais poder ou pela primazia de abusar dele, seja no exercício de autoridades, seja quando rasgam a Constituição Federal para receberem dinheiro acima do teto salarial do funcionalismo público.
Verbas indenizatórias
Eles lutam para ganhar mais verbas indenizatórias e invertem a lógica: transformam o salário em um penduricalho na soma dos ganhos e tornam as verbas indenizatórias a principal fonte de renda. Inclusive, recebem algumas delas sem tributação, como os auxílios alimentação, saúde e natalidade, a ajuda de custo parlamentar, o plano de saúde dos ex-senadores, além de férias e recessos pagos em dobro.
Enquanto os poderosos dos três Poderes entram em luta fraticida, alheios aos princípios de um Estado republicano, com ultimatos, com pressões e chantagens em proveito próprio, a maioria do povo continua com um Poder Judiciário lento e caro, com um Congresso Nacional composto por maioria de malfeitores e negocistas, com um Poder Executivo incapaz de fiscalizar obras de barragens de mineração, de viadutos e de passarelas, além de promover o ódio, a exclusão, a censura e a queima de livros. Não escapa nem o Ministério Público, sedento por poder e benéficos salarias quase infinitos.
Poderosos da República
Eles, os poderosos da nossa cambaleante república, sempre esquecem de um princípio constitucional que deve mover as instituições de Estado: “o Poder Emana do Povo”.
A missão pública deve beneficiar o povo, porque ele sempre paga as contas, com erros ou acertos, e sustenta a existência das instituições em uma República Democrática, em um Estado Democrático de Direito.
No entanto, nem a realidade de doze milhões de brasileiros desempregados, milhões também sem educação superior, milhões nas filas de hospitais sem perspectivas de atendimentos, milhões sem moradias e usando transportes coletivos péssimos, sensibilizam os poderosos.
Na ausência de um Estado republicano, eficiente e com valorização do ser humano, as facções criminosas tomam conta dos bairros das cidades, dos presídios e da política, fato observável em casos como os de milicianos que estão em cargos de confiança, muitos deles próximos aos familiares do atual presidente do País.
Comprometimento com mudanças
Precisamos de novos e bons governos comprometidos com mudanças. Tornar o Brasil num Estado moderno onde o poder público exista tão somente para servir e não para ser servido. Isso pode acontecer, basta que o cidadão vote bem, com responsabilidade, pensando no bem-estar de todos, sabendo que ele é a fonte de poder, além de fiscalizar os atos e comportamentos dos poderosos, porque os governos e seus atos são frutos de nossas escolhas.
Finalizo essa reflexão com uma frase da música de Caetano Veloso “Podres Poderes” em que retrata bem o Brasil de hoje: “Enquanto os homens exercem seus podres poderes, morrer e matar de fome, de raiva e de sede são tantas vezes

Carlos Santiago – Sociólogo, Cientista Político, filósofo e Advogado
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