Por que recriar a Escola de Administração Fazendária, extinta no Governo Bolsonaro

Artigo discute por que a Escola de Administração Fazendária (ESAF), extinta no governo Bolsonaro, deveria ser recriada para fortalecer a formação de servidores públicos.

Data:

Compartilhe esse post:

Augusto Bernardo Cecílio

A histórica e internacionalmente conhecida Escola de Administração Fazendária (ESAF), criada pelo Decreto nº 73.115, de 08 de novembro de 1973, terminou extinta em 2019 pelo governo Bolsonaro. Foi a segunda tentativa de extinção desse órgão. Em 1990, Collor havia proposto a mesma medida, rejeitada pelo Congresso Nacional.

Assim como a Academia de Polícia Federal e o Instituto Rio Branco, durante sua existência a escola formava e qualificava pessoal das chamadas carreiras típicas de Estado, cujas peculiaridades e atribuições são diferenciadas e requerem recrutamento regular, formação permanente e continuada, além de alinhamento às diretrizes ministeriais.

Como mostra a justificativa para a sua recriação, a fusão com a ENAP, embora possa ter sido justificada sob a perspectiva da redução de gastos e do enxugamento de estruturas, não resultou em benefícios para nenhuma das instituições.

Impacto na qualificação de profissionais

A ESAF, após ser extinta, perdeu sua identidade e foi esvaziada pelo governo de plantão, deixando de desenvolver ações para a área fazendária e de dar importância à formação de servidores da Administração Tributária, o que certamente afetou a qualificação dos profissionais, bem como a eficiência e a qualidade dos serviços públicos.

Sua extinção certamente impactou a continuidade de programas e projetos que estavam em andamento, prejudicando a implementação de políticas públicas e acarretando diminuição da modernização da gestão pública.

Para completar, toda a estrutura e o campus onde a Escola funcionava passaram ao Ministério da Defesa, para a instalação da Escola Superior de Guerra, em Brasília, talvez porque o então governante considerasse mais importante a guerra do que a formação e o aperfeiçoamento de servidores que atuariam em benefício do Estado.

Como esclarecido pela ANFIP, a ESAF foi muito importante para o aprimoramento intelectual dos servidores públicos, oferecendo cursos voltados à formação, especialização, extensão, aperfeiçoamento e execução de programas de pós-graduação, sendo reconhecida mundialmente.

O colunista Rubens Valente, do UOL, já alertava, em julho de 2020, sobre o avanço de uma área em detrimento do recuo de outras:

“O ministro da Defesa pediu e Paulo Guedes cedeu um amplo complexo de salas de aula e alojamentos em Brasília. O ministro da Defesa também pediu 32 apartamentos funcionais para militares, assunto que estava sendo estudado por uma secretaria vinculada à Economia na época. O complexo e os apartamentos são destinados a oficiais militares da Escola Superior de Guerra, que tem sede no RJ e abriu um campus no DF, assumindo o espaço da extinta ESAF, escola voltada para a área de finanças públicas”.

Um tremendo prejuízo

Em resumo, a Escola de Administração Fazendária é vital para a formação de uma administração pública mais competente, ética e voltada para o bem-estar da sociedade.

Sua recriação pode ser vista como uma resposta à necessidade de modernização e aprimoramento da formação de profissionais na área de administração pública e finanças, principalmente diante da atual Reforma Tributária e das constantes mudanças nas demandas do setor público.

Possível recriação

Ao ser recriada, ela pode contribuir para a formação de servidores mais qualificados, capazes de enfrentar os desafios contemporâneos da administração pública, promovendo eficiência e transparência na gestão dos recursos públicos, além de fortalecer a atuação da educação fiscal e da especialização em áreas estratégicas para o desenvolvimento do país.

Augusto Cecilio
Augusto Cecilio

Augusto Bernardo Cecílio é Auditor fiscal, professor e articulista do Portal Meu Amazonas


Quer receber notícias no seu WhatsApp ?-CLIQUE AQUI

Fale com a Redação: E-mail: [email protected] e WhatsApp: (92) 99148-8431

Augusto Cecílio
Augusto Cecíliohttps://portalmeuamazonas.com.br
Augusto Cecílio é articulista do Portal Meu Amazonas. Auditor fiscal e professor em Manaus, com longa experiência no serviço público

Matérias Relacionadas

Mendonça tira sigilo de investigação da PF que cita Moraes e Vorcaro

Relatório da Polícia Federal aponta contatos entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro.

Mais de 10 adolescentes desaparecidos são localizados no mês de agosto em Manaus

Ao todo, 14 casos foram registrados pela unidade; três desaparecimentos ainda são investigados.

Motorista de ônibus é morto após suposta discussão sobre política em Manaus

Nando Vieira Pontes, de 44 anos, foi atacado por um colega de trabalho durante uma discussão na sede da Eucatur, na zona Norte da capital.

Defensoria no AM cobra governo por atraso na ajuda de custo de tratamento fora do Estado

DPAM questiona valor parado desde 2017, restrição a acompanhantes idosos e indeferimentos no Tratamento Fora de Domicílio; SES-AM tem até sexta (4) para responder.