Após renunciar, presidente do Paraguai é destituído e preso

Santiago Peña anunciou a saída do cargo na quinta-feira, mas o Congresso manteve o impeachment; horas depois da destituição, o Ministério Público determinou sua prisão domiciliar em investigação ligada ao Ueno Bank.

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Santiago Peña anunciou que deixaria a Presidência do Paraguai na quinta-feira (5), mas não conseguiu encerrar o mandato por meio da renúncia. Nesta sexta-feira (6), o Senado manteve o julgamento político, aprovou seu impeachment e o destituiu do cargo. Horas depois, o Ministério Público determinou a prisão domiciliar do ex-presidente, investigado por suspeitas de irregularidades relacionadas à crise do Ueno Bank.

A votação no Senado terminou com 44 votos favoráveis à destituição e uma ausência. Os parlamentares consideraram Peña culpado por mau desempenho de suas funções. O afastamento encerrou antecipadamente o mandato iniciado em agosto de 2023, que deveria terminar em 2028.

A renúncia anunciada na véspera não foi formalmente aceita pelo Congresso. Por isso, o julgamento político continuou. Com a saída de Peña, o então vice-presidente Pedro Alliana assumiu a Presidência para concluir o período de governo.

Ministério Público determina prisão domiciliar

Após a destituição, o Ministério Público paraguaio determinou a prisão domiciliar de Peña no âmbito de uma investigação criminal sobre suspeitas de irregularidades ligadas ao Ueno Bank.

A medida também alcançou Carlos Carvallo, ex-presidente do Banco Central do Paraguai. A investigação apura possíveis crimes relacionados à gestão da instituição financeira, à supervisão do sistema bancário e à movimentação de recursos públicos.

A ordem de prisão domiciliar tem natureza cautelar. Portanto, não significa que Peña tenha sido condenado criminalmente. A apuração ainda precisa avançar na Justiça, com análise das provas e manifestação das defesas.

O Ministério Público já havia anunciado, na quinta-feira (5), a abertura de procedimentos criminais relacionados à supervisão e à resolução do Ueno Bank, à aplicação de recursos públicos na instituição e à atuação de autoridades e ex-autoridades.

Crise do Ueno Bank provocou intervenção

A crise financeira ganhou dimensão nacional em 3 de novembro, quando o Banco Central do Paraguai determinou o início de um procedimento de resolução do Ueno Bank.

Segundo a autoridade monetária, a instituição apresentava índice de solvência inferior à metade do mínimo exigido. A constatação ocorreu após ajustes nos demonstrativos financeiros durante um processo de regularização.

O procedimento prevê a atuação de interventores para verificar a situação patrimonial do banco, preservar seus ativos e conduzir medidas destinadas à proteção dos depositantes. A decisão não deve ser confundida com um simples fechamento da instituição: trata-se de um processo formal de resolução conduzido pelo Banco Central.

O Ueno Bank atendia aproximadamente 2,9 milhões de correntistas. A crise provocou restrições de acesso a depósitos e pagamentos e levantou questionamentos sobre a concentração de recursos públicos na instituição.

Informações divulgadas pela imprensa internacional apontaram que o banco mantinha cerca de US$ 850 milhões em recursos públicos. O valor reforçou a pressão por esclarecimentos sobre a fiscalização da instituição e a exposição de órgãos estatais à crise.

Vínculos empresariais entraram no centro das acusações

As acusações políticas contra Peña também envolveram seus antigos vínculos empresariais com o Grupo Vázquez, controlador do Ueno Bank. O ex-presidente teve participação no grupo até março de 2025, segundo informações divulgadas pela imprensa.

Outro ponto questionado foi a nomeação de Carlos Carvallo para a presidência do Banco Central. Antes de assumir o cargo, ele havia dirigido uma instituição financeira ligada ao grupo empresarial.

Durante o julgamento político, parlamentares também questionaram a concentração de recursos públicos e previdenciários no Ueno Bank. As acusações sustentaram que decisões de autoridades favoreceram interesses privados e levantaram dúvidas sobre a fiscalização financeira.

Essas alegações precisam ser diferenciadas das responsabilidades criminais. O impeachment resultou na perda do cargo por decisão política do Congresso. Já a investigação do Ministério Público deverá apurar se houve crimes e quem eventualmente participou deles.

Paraguai anuncia medidas para proteger correntistas

A crise atingiu milhões de clientes e provocou protestos no país. Para reduzir os efeitos sobre os depositantes, o Senado aprovou uma lei que permite antecipar parte da garantia dos depósitos, observadas as regras estabelecidas.

O Banco Central também anunciou o início dos pagamentos a um primeiro grupo de clientes com depósitos de até 10 milhões de guaranis, sem dívidas com a instituição e com conta habilitada em outro banco.

O regime geral de garantia de depósitos prevê cobertura de até 75 salários mínimos paraguaios por pessoa e por instituição financeira. A restituição dos valores e a situação dos depósitos que ultrapassam os limites de cobertura permanecem entre os principais desafios da resolução.

A destituição de Peña e a investigação criminal abriram uma nova etapa


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Luiz Marcelo
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Luiz Marcelo já escolheu seu lugar no mundo: na fronteira entre o jornalismo e o universo digital. Curioso por natureza, navega pela internet com olhar editorial — sempre em busca de pautas de interesse à população amazônida. Cada texto que escreve é uma chance de entender melhor a Amazônia e as histórias que ela guarda.

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