Banco Central do Paraguai inicia devolução de dinheiro e brasileiros ainda enfrentam incerteza

Intervenção no Ueno Bank deixou milhões de clientes sem acesso às contas; primeira etapa de restituição contempla depositantes com até 10 milhões de guaranis e determinadas condições bancárias.

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Brasileiros que vivem no Paraguai enfrentam incerteza sobre o acesso às próprias economias depois que o Banco Central do país determinou a intervenção no Ueno Bank, uma das maiores instituições financeiras paraguaias. A medida, anunciada em 3 de novembro, suspendeu as operações do banco e deixou milhões de correntistas temporariamente sem acesso aos recursos.

O problema atingiu trabalhadores, estudantes, comerciantes e pequenos empresários que utilizavam a instituição para receber pagamentos, guardar dinheiro e movimentar os negócios.

Em 5 de novembro, o Banco Central do Paraguai anunciou o início do pagamento das garantias aos primeiros grupos de depositantes. Entretanto, a restituição não será simultânea para todos os clientes.

Quem poderá receber primeiro?

A primeira etapa contempla correntistas que atendam simultaneamente a três condições:

  1. Tenham depósitos de até 10 milhões de guaranis paraguaios;
  2. Não possuam dívidas com o Ueno Bank;
  3. Mantenham uma conta habilitada em outro banco ou instituição financeira do Paraguai.

O Banco Central informou que os próximos grupos serão contemplados conforme o avanço do procedimento.

A situação exige atenção dos brasileiros que não possuem contas em outras instituições financeiras paraguaias. Esses clientes precisarão aguardar as orientações para as etapas seguintes.

O órgão também informou que estrangeiros estão incluídos no mecanismo de restituição. Portanto, a nacionalidade brasileira não impede o acesso à garantia.

Quanto dinheiro está protegido?

O Fundo de Garantia de Depósitos do Paraguai estabelece cobertura de até 228,3 milhões de guaranis por pessoa ou empresa em cada instituição financeira.

O limite corresponde a 75 salários mínimos paraguaios e considera o conjunto dos depósitos do cliente, não cada conta individualmente.

Quem possui valores superiores ao limite de cobertura dependerá da avaliação dos ativos e passivos do banco e dos mecanismos legais previstos para a resolução da instituição.

O Banco Central informou que pretende assegurar a maior proteção possível também aos valores que ultrapassarem a garantia legal.

Pequenos negócios também foram atingidos

O impacto vai além das economias pessoais.

A crise atingiu brasileiros que utilizavam o Ueno Bank para receber pagamentos de clientes e movimentar pequenos estabelecimentos comerciais.

Reportagem publicada pela Folha de S.Paulo apresentou o caso de Renata de Brito, brasileira de 44 anos que mantém uma lanchonete em Hernandarias, cidade próxima à fronteira com o Brasil.

Ela utilizava a conta bancária para guardar suas economias e receber pagamentos do estabelecimento. Com a interrupção dos serviços, também perdeu temporariamente o acesso à estrutura de pagamentos vinculada ao banco.

O caso mostra como uma crise financeira pode atingir diretamente a atividade econômica de pequenos empreendedores.

Por que o Banco Central interveio?

A intervenção ocorreu depois que o Banco Central identificou que o índice de solvência do Ueno Bank havia caído para menos da metade do mínimo exigido pela legislação paraguaia.

Esse indicador mede a capacidade de uma instituição financeira de absorver perdas e manter condições de funcionamento.

Segundo a autoridade monetária, a análise também identificou problemas relacionados a operações de crédito concedidas a empresas vinculadas ao grupo controlador da instituição.

O procedimento de resolução prevê a avaliação da situação patrimonial do banco e a adoção de medidas para proteger os depositantes.

Uma crise que ultrapassa o sistema financeiro

O episódio também provocou repercussões políticas no Paraguai. A instituição tinha aproximadamente 2,9 milhões de clientes e administrava recursos públicos, inclusive valores vinculados ao sistema previdenciário do país.

A crise levantou questionamentos sobre a fiscalização bancária e as relações entre dirigentes da instituição e integrantes do governo.

O caso também desencadeou investigações sobre possíveis irregularidades. Suspeitas e investigações, entretanto, não equivalem a condenações.

Para os brasileiros que vivem no país, a principal preocupação neste momento é saber quando poderão movimentar novamente suas economias e como será feita a restituição dos valores.

O Banco Central paraguaio recomenda que os correntistas acompanhem exclusivamente seus comunicados oficiais e as orientações sobre o pagamento das garantias.


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Gláucia Chair
Gláucia Chairhttps://portalmeuamazonas.com.br/
Gláucia Chair é jornalista, pesquisadora e professora, com mais de 25 anos de atuação no mercado de comunicação e educação. CEO do Portal Meu Amazonas, também atua como consultora em conteúdo digital e estratégias de mídia. É Master em Jornalismo pelo Instituto Superior de Educação (ISE) e possui especializações em Literatura Moderna e Pós-Moderna, Docência do Ensino Superior e Comunicação, Design e Multimídia. Membro da Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil (AJEB), Gláucia se destaca pela defesa da valorização da produção jornalística e intelectual na Amazônia. Ao longo de sua trajetória, colaborou com veículos de destaque como Portal Amazônia, Jornal e Portal Em Tempo, Portal Radar 10, Revista ECO, Portal Vanguarda do Norte, i9Brasil e Portal Em Pauta.

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