Uma densa fumaça, proveniente de incêndios florestais, tomou conta de diversas regiões do Brasil, gerando um estado de alerta. O governo federal e a Polícia Federal (PF) investigam indícios de crimes relacionados aos incêndios em São Paulo, que se intensificaram nos últimos dias.
Inquéritos para apuração
As autoridades abriram dois inquéritos para apurar o surgimento de focos de fogo em São Paulo, além de outros 31 já em andamento sobre queimadas na Amazônia e no Pantanal. Cidades de Goiás, São Paulo e Minas, assim como o Distrito Federal, foram atingidas pela fumaça.
Em Goiânia, o Aeroporto Internacional Santa Genoveva teve de ser fechado devido à falta de visibilidade. Em Minas, segundo a Defesa Civil, houve 68 focos de incêndio em 27 municípios.
Ministério do Meio Ambiente
A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, confirmaram a abertura de dois inquéritos para apurar as causas e responsabilidades desses incêndios.
Marina Silva destacou que o aumento repentino dos incêndios em São Paulo é um sinal claro de ação humana.
“Isso não faz parte da nossa curva de experiência. É atípico e preocupante, comparável ao ‘dia do fogo’ de 2019, quando produtores rurais incendiaram áreas da Amazônia em uma ação coordenada”, afirmou a ministra.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que visitou a sede do Ibama em Brasília para acompanhar a situação, reforçou a suspeita de que os incêndios são criminosos:
“Até agora, não detectamos nenhum incêndio causado por raios. Isso significa que há pessoas colocando fogo de forma ilegal”, disse Lula.
Consequências dos incêndios
As consequências dos incêndios impactaram várias regiões. A fumaça densa que encobriu o céu de Brasília no domingo vem das queimadas em São Paulo, segundo o Corpo de Bombeiros do Distrito Federal.
Até o dia 23 de agosto, o estado registrou 4.973 focos de incêndio, o maior número desde 1998, quando o monitoramento por satélite começou.
Em resposta à gravidade da situação, o governo federal mobilizou as Forças Armadas para ajudar no combate às chamas.
A Força Aérea disponibilizou a aeronave KC-390, equipada para atuar contra incêndios, para apoiar as operações em Ribeirão Preto (SP). Além disso, dois helicópteros da Marinha e dois do Exército reforçam esforços no estado. No entanto, a intensa fumaça no céu de São Paulo dificultou o deslocamento de algumas aeronaves.
Prisões
As investigações da Polícia Civil de São Paulo levaram à prisão de duas pessoas suspeitas de iniciarem focos de incêndio.
Um homem de 41 anos acabou preso em Batatais por atear fogo em mata seca, e um idoso de 76 anos está detido em São José do Rio Preto por queimar lixo. Outros suspeitos estão sendo investigados em diferentes municípios paulistas.
O cenário atual, agravado pelas condições climáticas, com forte seca, baixa umidade, ainda enfrenta ventos de até 70 km/h, dificultando o combate ao fogo.
“Mesmo com todos os recursos à disposição, é impossível conter o fogo se continuar sendo provocado de forma irresponsável”, alertou Marina Silva.
A Bolívia, que também enfrenta incêndios alarmantes, solicitou ajuda ao governo brasileiro, mas o Brasil informou que está concentrando todos os esforços no combate aos incêndios em seu próprio território.
A situação é crítica, e as autoridades seguem em alerta máximo para evitar que o desastre se amplie, enquanto o país busca soluções para conter os incêndios e responsabilizar os culpados.
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