Caso confirmado na Suíça amplia alerta internacional sobre o vírus Andes, variante rara do hantavírus capaz de passar de pessoa para pessoa
Um surto de hantavírus registrado no navio de cruzeiro Hondius colocou autoridades sanitárias internacionais em alerta após três mortes e a confirmação de novos casos associados à embarcação que navegava entre a América do Sul e as Ilhas Canárias.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) acompanha o episódio devido à suspeita de circulação do vírus Andes, uma variante rara do hantavírus considerada a única capaz de transmissão entre humanos.
O caso mais recente confirmado nesta quarta-feira (6) pela Suíça, um homem que participou do cruzeiro está internado no Hospital Universitário de Zurique após testar positivo para o vírus.
A embarcação levava 149 pessoas, sendo 88 passageiros de 23 nacionalidades diferentes. O roteiro começou em Ushuaia, na Argentina, em 20 de março, com paradas no Atlântico Sul voltadas ao turismo de observação da vida selvagem.
Segundo a OMS, os primeiros relatos de doença a bordo surgiram entre os dias 6 e 28 de abril. Os pacientes apresentaram febre e sintomas gastrointestinais que evoluíram rapidamente para pneumonia, síndrome respiratória aguda e choque.
Até esta quarta-feira, autoridades internacionais contabilizavam oito casos suspeitos, dos quais três confirmados laboratorialmente como hantavírus.
Suíça confirma infecção após viagem no navio Hondius
O Escritório Federal de Saúde Pública da Suíça informou que o paciente procurou atendimento médico após receber um e-mail da operadora Oceanwide, responsável pelo navio Hondius, alertando os passageiros sobre o surto.
O homem havia retornado recentemente de uma viagem à América do Sul com a esposa. Após apresentar sintomas, entrou em contato com um médico por telefone. Encaminhado ao Hospital Universitário de Zurique, acabou isolado imediatamente.
Exames realizados no laboratório de referência do Hospital Universitário de Genebra confirmaram infecção pelo vírus Andes.
Em nota, autoridades suíças afirmaram que o hospital conta com estrutura adequada para tratar o paciente sem risco adicional para profissionais de saúde ou para a população.
“Atualmente, não há risco para a população suíça”, informou o comunicado oficial.
O que preocupa autoridades sobre o vírus Andes
A principal preocupação internacional envolve justamente a capacidade de transmissão entre humanos associada ao vírus Andes, identificado principalmente em países da América do Sul.
Na maioria dos casos, o hantavírus é transmitido pelo contato com urina, fezes ou saliva de roedores silvestres infectados. A variante andina, porém, já esteveassociada em estudos científicos a transmissões interpessoais em situações específicas, especialmente entre contatos próximos.
Por isso, a OMS iniciou rastreamento internacional de contatos para monitorar passageiros e tripulantes potencialmente expostos durante o cruzeiro.
A organização informou que trabalha com diferentes países para evitar novos casos e conter eventual disseminação da doença.
SAIBA MAIS
O hantavírus pode provocar uma síndrome pulmonar grave com rápida evolução respiratória. Os sintomas iniciais costumam incluir febre, dores musculares, fadiga, náusea e desconforto abdominal. Em casos severos, o quadro evolui para insuficiência respiratória aguda.
A variante Andes foi identificada originalmente na Argentina e no Chile. Embora a transmissão entre humanos seja considerada rara, ela desperta preocupação sanitária internacional justamente por fugir do padrão tradicional do hantavírus.
Especialistas reforçam que não há evidências de transmissão comunitária ampla neste episódio, mas o monitoramento ocorre devido ao histórico da variante sul-americana.
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