O ator Wagner Moura, 49, chamou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) de “Trump brasileiro” em entrevista exibida nos Estados Unidos nesta quarta-feira (4), no programa Jimmy Kimmel Live! da emissora ABC. A conversa, de oito minutos, abordou política brasileira e os filmes que renderam a Moura a indicação ao Oscar.
Filme “O Agente Secreto” e contexto político
Moura disse que cogitou agradecer a Bolsonaro caso vencesse o Oscar, em referência irônica ao apresentador Jimmy Kimmel, que havia feito o mesmo com Donald Trump. Segundo o ator, o filme O Agente Secreto só surgiu devido ao contexto político vivido no governo Bolsonaro (2018-2022).
“O filme não teria acontecido sem o que vimos acontecendo no país”, afirmou. Moura comentou que o longa nasceu do estranhamento dele e do diretor Kleber Mendonça Filho em relação ao ambiente político e social durante o governo.
Comparação com eventos nos EUA
O ator comparou os ataques de 8 de janeiro de 2023, em Brasília, aos eventos de 6 de janeiro de 2021, nos Estados Unidos. “Tivemos o mesmo: negacionista da eleição incentivando invasão de prédios públicos e destruição”, disse. Moura destacou que o Brasil reagiu mais rápido, prendendo participantes, financiadores e responsabilizando Bolsonaro.
Ditadura militar e democracia
Moura relacionou a rápida resposta do Brasil à memória da ditadura militar, afirmando que o país sabe o que é autoritarismo. Ele disse que Bolsonaro é “uma manifestação dos ecos da ditadura”, tanto pelos elogios ao regime quanto pelo tratamento de direitos civis e instituições democráticas.
Experiência com “Marighella” e resistência cultural
O ator comentou sobre seu filme Marighella (2019), sobre a resistência armada à ditadura. O longa enfrentou dificuldades de lançamento no Brasil após Bolsonaro assumir a presidência, estreando comercialmente apenas em 2021. Moura acredita que a resistência do governo aumentou o interesse do público.
Democracia nos EUA e direitos civis
Moura, que mora atualmente nos Estados Unidos, comentou sobre a democracia americana. Ele destacou que valores exportados pelo país influenciam debates no Brasil e citou episódios de protestos e lutas por direitos civis como exemplos da importância da vigilância democrática.
Entrevista em tom leve
A conversa terminou com humor, quando Kimmel mostrou bonecos gigantes do Carnaval de Olinda que representam Moura e outras figuras conhecidas, destacando a popularidade do ator.
*Com informações da CNN
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