Manaus (AM) – O corpo da administradora amazonense Camila Kellem da Silva Caldas, de 34 anos, foi sepultado na quinta-feira (10), no Cemitério São Francisco, em Manaus, 44 dias depois de ela ser morta em Barcelona, na Espanha. Os dois filhos, de quatro e oito anos, permanecem no país europeu, sob proteção das autoridades espanholas.
Camila terminou morta em 28 de julho, na região de Sant Martí, em Barcelona. O traslado do corpo para o Amazonas ocorreu com apoio do Governo Federal, por meio do Itamaraty.
O velório foi realizado durante a madrugada na Funerária São Francisco, no bairro Cachoeirinha, zona Sul de Manaus.
Guarda dos filhos depende das autoridades espanholas
As duas crianças estão em um centro de acolhimento sob tutela dos serviços espanhóis de proteção à infância.
Os avós maternos viajaram para Barcelona em 30 de julho para acompanhar os procedimentos relacionados ao caso e pedir a guarda dos netos. Segundo relatos de familiares publicados nesta semana, a avó permanece na Espanha enquanto aguarda o andamento dos trâmites legais.
O Consulado-Geral do Brasil em Barcelona acompanha o caso e presta assistência à família.
Uma campanha de arrecadação criada após a morte tinha inicialmente a meta de R$ 90 mil para custear o traslado do corpo. Com a repatriação realizada pelo Itamaraty, os familiares informaram que os recursos passaram a ser destinados a despesas relacionadas à documentação e ao retorno das crianças.
Suspeito se entregou após o crime
O marido de Camila, de quem ela estava separada, é apontado pelas autoridades espanholas como suspeito do crime. Ele também é pai das duas crianças.
Após a morte, o homem fugiu e se entregou na madrugada de 29 de julho em uma delegacia dos Mossos d’Esquadra, a polícia da Catalunha. Segundo a imprensa espanhola, ele confessou ter esfaqueado Camila.
A Justiça espanhola determinou a prisão provisória do suspeito. A acusação inicial é de homicídio e pode ser agravada conforme o avanço do processo.
A decisão judicial também determinou que ele não se aproxime dos filhos nem dos avós maternos.
Camila já estava separada e planejava voltar a Manaus
Segundo o irmão da vítima, Waldson Caldas, Camila já estava separada do marido e morava em outro endereço com os filhos. Ela organizava o retorno definitivo ao Amazonas, previsto para agosto.
Há versões diferentes sobre o local onde ocorreu o crime.
A imprensa espanhola informou que o ataque aconteceu no apartamento onde Camila morava. A família, por outro lado, relatou que ela havia ido ao imóvel do ex-companheiro para buscar o filho mais velho, que estaria sendo mantido pelo pai.
Durante a agressão, segundo os relatos publicados, o menino saiu do imóvel para pedir ajuda aos vizinhos.
Na decisão que manteve o suspeito preso, a Justiça espanhola também considerou relatos de amigas de Camila sobre episódios de violência que ela teria sofrido havia mais de dez anos. Segundo o governo catalão, não havia medidas protetivas registradas contra o marido.
Morte entrou na estatística oficial de violência de gênero
O Ministério da Igualdade da Espanha incluiu Camila entre as vítimas de violência de gênero registradas no país em 2026. Ela foi a 32ª mulher assassinada naquele ano dentro dessa classificação.
A ministra da Igualdade, Ana Redondo, lamentou a morte da amazonense. O presidente da Catalunha, Salvador Illa, também se manifestou contra a violência de gênero.
Em 30 de julho, a Prefeitura de Barcelona realizou um minuto de silêncio na Plaça Sant Jaume em homenagem à vítima e em repúdio ao crime.
Brasileiras que vivem na Espanha e enfrentam situações de violência podem procurar o serviço 016, que funciona 24 horas e oferece atendimento em diferentes idiomas. Em situações de emergência, o número é 112.
A permanência das crianças na Espanha e o eventual retorno delas ao Amazonas dependem agora dos procedimentos de proteção à infância e da decisão das autoridades espanholas responsáveis pela guarda.
SAIBA MAIS
Quem era: Camila Kellem da Silva Caldas, 34 anos, amazonense formada em Administração, que vivia na Espanha havia cerca de dez anos.
Crime: 28 de julho de 2026, na região de Sant Martí, em Barcelona.
Suspeito: marido de Camila, de quem ela estava separada. Ele se entregou à polícia e está em prisão provisória.
Filhos: duas crianças, de quatro e oito anos, atualmente sob proteção das autoridades espanholas.
Assistência: o Consulado-Geral do Brasil em Barcelona acompanha o caso e presta assistência à família.
LEIA MAIS:
INSS começa a analisar pedidos de pensão para órfãos de vítimas de feminicídio
Feminicídio no Amazonas cai e alcança menor taxa do país, mas casos ainda preocupam
Passageira presa com cocaína preta no aeroporto de Manaus levaria droga para Espanha
Quer receber notícias no seu WhatsApp ?-CLIQUE AQUI
Fale com a Redação: E-mail: [email protected] e WhatsApp: (92) 99148-8431