Promessas de empregos, celulares de última geração, dinheiro e viagens internacionais eram as armadilhas utilizadas por um empresário de 55 anos para atrair e aliciar adolescentes em Manaus. O esquema criminoso, que mirava jovens em situação de extrema vulnerabilidade social e econômica, foi detalhado pela Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca) nesta quarta-feira (3). O homem foi preso preventivamente acusado de estupro, exploração sexual e importunação sexual contra pelo menos três adolescentes, com idades entre 15 e 17 anos.
A armadilha do emprego e dos presentes
Segundo a investigação, o suspeito usava a fachada de sua própria atividade empresarial para fazer os contatos iniciais com os garotos. “Ele atraía as vítimas com promessas de benefícios e vantagens, como dinheiro, celulares, viagens internacionais e oportunidades de emprego de sua empresa. Essas ofertas eram usadas para convencer os adolescentes a irem até o encontro do autor”, explicou o delegado Jeferson Vicente, adjunto da Depca.
A farsa da “dívida” cobrada com abusos
Após ganhar a confiança dos jovens e entregar os mimos, o empresário transformava as ofertas em uma verdadeira armadilha financeira. Ele passava a cobrar os adolescentes pelas mercadorias e vantagens concedidas, alegando que eles haviam contraído uma alta dívida com ele. No entanto, quando as vítimas tentavam pagar o suposto débito em dinheiro, o homem recusava os valores em espécie e exigia, de forma impositiva, favores de natureza sexual para quitar o saldo.
Os abusos ocorriam de forma gradual e escalavam para violência severa. Conforme a polícia, o criminoso gravava e fotografava os atos sexuais sem o consentimento dos adolescentes. Esses registros íntimos eram guardados e usados como ferramentas de chantagem psicológica para forçar os jovens a passarem por novos estupros. Para garantir que os rapazes ficassem em silêncio e não procurassem as autoridades ou suas famílias, o empresário recorria a agressões físicas brutais e ameaças de morte.
Sete celulares apreendidos e busca por novas vítimas
O caso começou a vir à tona quando a mãe de uma das vítimas descobriu as extorsões e as marcas de agressão, denunciando o esquema imediatamente à delegacia. Os investigadores constataram que o empresário agiu exatamente da mesma forma com todos os três adolescentes identificados no período de dezembro de 2023 a maio de 2026.
Durante a operação de captura, os agentes localizaram o suspeito e apreenderam aproximadamente sete aparelhos celulares em posse dele. A polícia suspeita que o material contenha dezenas de arquivos de mídia das vítimas e que o número de jovens abusados seja ainda maior, apontando para a existência de uma quarta vítima que ainda não foi localizada. O empresário foi indiciado por estupro qualificado, favorecimento da prostituição e produção de pornografia infantojuvenil, seguindo detido na carceragem da capital à disposição do Poder Judiciário.
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