Manaus (AM) – A Justiça do Amazonas aceitou a denúncia contra a médica Juliana Brasil Santos e a enfermeira Raíza Bentes Praia pelo homicídio da criança Benício Xavier de Freitas. O menino morreu nas dependências de um hospital particular de Manaus após receber uma superdosagem de adrenalina por via intravenosa. A decisão, publicada nesta quarta-feira (3) pelo juiz Fábio César Olintho de Souza, da 1ª Vara do Tribunal do Júri, transforma oficialmente as profissionais em rés na ação penal.
A acusação apresentada pelo Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM) apontou que as profissionais atuaram com dolo eventual, que é quando se assume o risco de causar a morte. O crime foi qualificado pelo emprego de veneno (substância fatal em dosagem inadequada).
De acordo com a denúncia, Juliana Brasil emitiu a prescrição eletrônica contendo a superdosagem do medicamento, enquanto Raíza Bentes administrou a substância na veia do paciente da forma como havia sido prescrita, provocando o óbito do menor.
Carimbos sem especialização
Além de responder por homicídio qualificado, a médica Juliana Brasil foi denunciada por falsidade ideológica praticada por dez vezes. As investigações revelaram que ela utilizava carimbos e guias declarando ser especialista em pediatria, sem possuir o Registro de Qualificação de Especialista (RQE).
Por outro lado, a Justiça acolheu o pedido do MPAM e arquivou as investigações que cogitavam homicídio culposo por parte dos gestores e diretores do hospital particular, bem como dos médicos plantonistas, que foram isentados de responsabilidade criminal.
Na mesma decisão, o magistrado retirou o segredo de justiça total do processo para garantir a publicidade dos atos, mantendo o sigilo apenas sobre fotos e vídeos da criança em estado crítico ou sem vida, visando proteger a dignidade da família.
Pais atuarão como assistentes de acusação
Os pais de Benício, Bruno Mello de Freitas e Joyce Xavier de Carvalho, foram habilitados para atuar no processo como assistentes de acusação. O juiz determinou a citação pessoal das rés para apresentarem a defesa prévia por escrito no prazo legal de 10 dias.
LEIA MAIS
Polícia conclui que Benício morreu por overdose de adrenalina após ‘erro médico grosseiro’
Pais de Benício cobram laudo do IML e conclusão de investigação sobre morte do filho em Manaus
Vídeo apresentado por médica no caso Benício foi alterado, diz polícia
Siga o canal do Portal Meu Amazonas no WhatsApp -CLIQUE AQUI
Fale com a Redação: E-mail: [email protected] e WhatsApp: (92) 99148-8431