Manaus (AM) – Um vídeo apresentado pela médica Juliana Brasil, investigada pela morte do menino Benício Xavier, de 6 anos, em um hospital particular de Manaus, acabou alterado, segundo informou a Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) nesta segunda-feira (23).
A investigação também apura se a irmã dela, a estudante de medicina Geovana Brasil, participou da possível adulteração.
De acordo com a polícia, o material manipulado com o objetivo de atribuir a um erro do sistema a aplicação incorreta de adrenalina na criança. A defesa da médica, não localizada, não comentou o caso.
Perícia descarta falha no sistema
O delegado Marcelo Martins, do 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP), responsável pelo caso, afirmou que a perícia técnica não identificou qualquer falha no sistema eletrônico do hospital e encontrou indícios de alteração no vídeo.
“Esse vídeo mostraria que a troca da via de administração da adrenalina teria ocorrido por erro do sistema. Quando, na verdade, a perícia comprovou que não houve nenhum erro”, explicou.
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Investigação aponta possível fraude
O vídeo terminou localizado após buscas na residência da médica. O celular dela foi apreendido e encaminhado para análise pericial.
“Essa circunstância em especial configuraria o crime de fraude processual, que é um outro crime agora que entra também em pauta nesse inquérito”, afirmou o delegado.
Além de Geovana Brasil, outra médica, identificada apenas como “Luisa”, também é investigada por possível participação na adulteração. Ela já foi ouvida e negou envolvimento.
Depoimento
Geovana prestou depoimento nesta segunda-feira (23), mas optou por permanecer em silêncio, conforme informou a polícia.
O inquérito, conduzido pela Polícia Civil do Amazonas, é acompanhado pelo Ministério Público do Amazonas (MPAM).
A conclusão depende de laudos periciais, incluindo o exame de necropsia.
Entenda o caso
Benício Xavier morreu no dia 23 de novembro, após receber adrenalina pela veia durante atendimento hospitalar. Segundo a investigação, a via e a dosagem não eram indicadas para o quadro clínico da criança.
Após a aplicação, o menino sofreu múltiplas paradas cardíacas e não resistiu.
De acordo com o pai, Bruno Freitas, o filho chegou ao hospital com tosse seca e suspeita de laringite. Ele relatou que a prescrição incluía lavagem nasal, soro, xarope e três doses de adrenalina intravenosa.
“Meu filho nunca tinha tomado adrenalina pela veia, só por nebulização. Nós perguntamos, e a técnica disse que também nunca tinha aplicado por via intravenosa. Falou que estava na prescrição e que ela ia fazer”, contou.
Quadro clínico
Após a primeira aplicação, o estado de Benício piorou rapidamente. Levado à sala vermelha, onde a oxigenação caiu e uma segunda médica passou a acompanhar o caso.
O menino, transferido para a UTI,continuou apresentando instabilidade. Durante a intubação, sofreu paradas cardíacas.
Benício morreu às 2h55 do domingo.
“Queremos justiça pelo Benício e que nenhuma outra família passe pelo que estamos vivendo. O que a gente quer é que isso nunca mais aconteça. Não desejamos essa dor para ninguém”, disse o pai.
Providências do hospital
Em nota, o Hospital Santa Júlia informou que uma médica e uma técnica de enfermagem terminaram afastadas. Uma investigação interna, por meio da Comissão de Óbito e Segurança do Paciente, trabalha no caso.
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