O assassinato da estudante de medicina Letícia de Morais Vasconcelos Rodrigues, encontrada morta com cerca de 100 facadas, no último sábado (27) em Barbacena, no interior de Minas Gerais, era antecedido por um histórico documentado de violência psicológica e intimidação. O namorado da vítima, Gustavo Dutra Lima, preso em flagrante pelo crime, já havia sido formalmente denunciado por ela meses antes devido a comportamentos ameaçadores e possessivos.
De acordo com o boletim de ocorrência registrado por Letícia em fevereiro de 2026, o casal mantinha um relacionamento de aproximadamente três anos, período marcado por conflitos frequentes motivados por ciúmes excessivos por parte de Gustavo. No documento oficial, a estudante relatou que, durante uma das discussões, o suspeito a intimidou simulando o formato de uma arma apontada para a própria cabeça e afirmando que ela “não saberia do que ele era capaz”.
Monitoramento e medo constante de familiares e amigos
Em depoimento prestado à polícia na ocasião do registro, Letícia revelou que Gustavo estendia as ameaças de morte e agressão aos amigos dela, tentando isolá-la socialmente. A jovem também relatou um episódio em que, após exigir que o namorado deixasse o apartamento dela durante uma briga, ele se recusou a sair. Temendo por sua integridade física, a estudante precisou abandonar o imóvel e se deslocar até a delegacia mais próxima para buscar ajuda.
Apesar do alerta registrado junto às autoridades no início do ano, o crime se consumou no último fim de semana de junho. O corpo de Letícia foi localizado dentro de seu próprio apartamento com severos sinais de violência.
Decisão judicial cita ‘centenas de golpes de faca’
Informações preliminares ligadas à equipe de investigação e à perícia técnica indicam que o corpo da estudante apresentava ao menos 130 lesões, divididas entre ferimentos superficiais de defesa e perfurações por arma branca. Testemunhas informaram que o casal esteve em uma festa na noite de sexta-feira (26) e, posteriormente, seguiu para o apartamento da vítima. O último contato de Letícia por mensagens ocorreu por volta das 23h40 daquela noite.
Gustavo Dutra Lima foi localizado e preso no domingo (28/06). Ao converter a prisão em flagrante para preventiva, o magistrado Alanir José Hauck Rabeca destacou a brutalidade do ato processual, citando formalmente na decisão que a vítima foi submetida a “centenas de golpes de faca”. O suspeito permanece detido no sistema prisional mineiro e responderá pelo crime de feminicídio qualificado.
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