Manaus (AM) -Os dados não são dos últimos dias, mas seguem atuais: divulgado em 26 de maio, o Atlas da Violência 2026 confirma Manaus e Belém dentre outros municípios que mais concentram homicídios no país, ainda que em direções opostas. O Amazonas registrou queda de 14,7% nos casos entre 2023 e 2024, enquanto Belém teve alta de 20,3% na taxa estimada no mesmo período — a segunda maior variação entre as capitais brasileiras, atrás só de Belo Horizonte. O levantamento é do Ipea em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).
Duas capitais da Amazônia, duas direções opostas
No Amazonas, os casos de homicídio caíram de 1.555 para 1.326 entre 2023 e 2024, e a taxa por 100 mil habitantes recuou de 38,1 para 32,2. Em Belém, a trajetória foi inversa: a capital paraense entrou no grupo de nove municípios que registraram alta na taxa de homicídios estimados no período, ao lado de Fortaleza, São Paulo e Cuiabá.
Manaus e Belém aparecem juntas na lista dos 99 municípios que concentram metade dos homicídios do país — um recorte que reúne 1,8% das cidades brasileiras e 43,4% da população.
Facções em expansão explicam parte do contraste
Segundo o Atlas, a violência letal no Norte segue puxada pela disputa territorial de facções criminosas vindas do Sudeste e do Nordeste. Um especialista consultado pelo levantamento apontou que Belém e Marituba (PA) concentram marcas relevantes de conflitos envolvendo territorialidade de facções, em disputas entre grupos rivais pelo controle de pontos de venda de drogas.
No Amazonas, o governo estadual atribui a queda a um pacote diferente: reforço de efetivo, tecnologia e concursos públicos dentro do programa Amazonas Mais Seguro, que já somou R$ 1,16 bilhão em investimentos desde 2019.
Metodologias distintas pedem cautela na comparação
É preciso registrar uma diferença metodológica: o Atlas da Violência usa como fonte o Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) e o Sinan, ligados ao Ministério da Saúde, com dados fechados de 2024. Já o Anuário de Segurança Pública 2026 da SSP-AM, lançado em 27 de março, usa registros criminais próprios do estado e aponta queda ainda maior — 33% na taxa de homicídios do Amazonas e 42% em Manaus — mas se refere a 2025, um ano depois da base do Atlas. Os números não são diretamente comparáveis entre si, embora apontem para a mesma direção no caso amazonense.
A diretora-executiva do FBSP, Samira Bueno, avalia que os resultados positivos convivem com um cenário “muito complicado, marcado pela expansão de facções criminosas oriundas do sudeste” na região amazônica.
O governador do Amazonas, Roberto Cidade, que assumiu a gestão em abril de 2026, atribui a queda à integração entre Polícia Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros e Polícia Técnico-Científica, com previsão de reforço ainda maior do policiamento em todo o território estadual.
O próximo retrato consolidado da violência nas duas capitais amazônicas só deve chegar com a divulgação do Atlas da Violência 2027 e do Anuário de Segurança Pública do próximo ano.
Resumo de IA:
- O Atlas da Violência 2026 mostra que Manaus registra queda de 14,7% nos homicídios, enquanto Belém tem aumento de 20,3%.
- Manaus e Belém concentram metade dos homicídios do Brasil, apesar de tendências opostas na taxa de homicídios.
- A violência em Belém é impulsionada por conflitos entre facções criminosas, enquanto a queda em Manaus é atribuída a investimentos em segurança.
- Metodologias diferentes entre o Atlas e o Anuário de Segurança Pública exigem cautela na comparação dos dados sobre homicídios.
- O próximo Atlas da Violência, de 2027, trará um retrato mais preciso da situação das capitais amazônicas.
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