Manaus (AM) – A Polícia Civil do Amazonas deflagrou, nesta quinta-feira (6), a Operação Avalanche, que investiga uma organização criminosa suspeita de aplicar golpes por meio da falsa venda de imóveis, veículos e cotas de consórcio. Segundo as investigações, o grupo movimentou aproximadamente R$ 8 milhões em cerca de um ano de atuação.
A ação foi coordenada pelo 1º Distrito Integrado de Polícia (DIP) e é resultado de uma investigação iniciada há cerca de seis meses, após diversas vítimas denunciarem o esquema.
Empresas de fachada eram usadas no golpe
De acordo com a Polícia Civil, a organização utilizava um conjunto de empresas administradas pelas mesmas pessoas, mas registradas com diferentes CNPJs e nomes fantasia para dificultar a identificação dos responsáveis e ocultar a fraude.
Os suspeitos anunciavam imóveis, veículos e consórcios em plataformas de venda e redes sociais por preços muito abaixo do mercado para atrair compradores.
Em alguns casos, os imóveis divulgados sequer existiam no Amazonas. As investigações apontam que eram utilizadas fotografias de propriedades localizadas em outros estados para dar aparência de legitimidade aos anúncios.
Vítimas assinavam contratos falsos
Após demonstrar interesse, os compradores eram convidados a comparecer aos escritórios das empresas, onde assinavam contratos fraudulentos e realizavam pagamentos de entrada ou sinal do suposto negócio.
Segundo a investigação, os valores eram apropriados pelos criminosos, que nunca entregavam os bens prometidos.
Para manter o golpe, os investigados adiavam sucessivamente a entrega dos imóveis, veículos ou consórcios até interromper completamente o contato com as vítimas.
Grupo mudava de empresas para esconder fraude
A Polícia Civil informou que, quando começavam a surgir denúncias, o grupo encerrava as atividades da empresa utilizada no golpe e passava a operar por meio de outro CNPJ, mantendo, porém, os mesmos administradores.
Em muitos casos, as vítimas retornavam aos escritórios e encontravam outro estabelecimento funcionando no local ou eram informadas de que a empresa havia encerrado as atividades.
COAF identificou movimentação de R$ 8 milhões
Relatórios de Inteligência Financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontaram movimentações superiores a R$ 8 milhões relacionadas ao grupo investigado.
Durante a Operação Avalanche, os policiais cumpriram 22 mandados de busca e apreensão e quatro mandados de prisão, entre eles o de um advogado apontado como líder da organização criminosa.
Além das prisões, foram apreendidos veículos, computadores, celulares, contratos supostamente fraudulentos, cadastros de vítimas e documentos internos contendo roteiros que orientavam funcionários sobre como convencer clientes e aplicar os golpes.
Polícia pede que vítimas procurem a delegacia
A Polícia Civil orienta que pessoas que tenham sido vítimas do esquema compareçam ao 1º DIP ou à delegacia mais próxima para registrar boletim de ocorrência e colaborar com o andamento das investigações.
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