Justiça libera licenças para garimpo de ouro no Rio Madeira, no Amazonas

Decisão judicial permite retomada de autorizações para lavra de ouro por dragagem em área de 14,7 mil hectares entre Humaitá e Manicoré.

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Manaus (AM) – A Justiça Federal determinou o restabelecimento da validade de seis licenças de operação para atividades de garimpo no Rio Madeira, entre os municípios de Humaitá e Manicoré, no interior do Amazonas. Em cumprimento à decisão judicial, o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) efetivou a validade das autorizações para a lavra de ouro por dragagem em uma área de 14.747,63 hectares.

As licenças foram concedidas originalmente em dezembro de 2017 às cooperativas Cooperativa dos Garimpeiros da Amazônia (COOGAM) e Cooperativa dos Garimpeiros e Mineradores de Fundo de Quintal e de Subsistência Familiar do Amazonas (COOEMFAM). Poucos dias após a emissão, os efeitos das autorizações foram suspensos por determinação judicial.

A decisão que restabeleceu a validade foi efetivada em 25 de agosto de 2026, em cumprimento à determinação da 6ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1). Segundo o Ipaam, a medida ocorreu por determinação judicial e não corresponde a uma nova decisão administrativa do órgão ou do Governo do Amazonas.

Decisão judicial

A decisão foi assinada pelo juiz federal João Paulo Pirôpo de Abreu, após análise de um pedido apresentado pela COOGAM. O magistrado entendeu que o período em que as licenças permaneceram suspensas não deveria ser descontado do prazo de validade das autorizações.

O documento classifica a atividade de lavra de ouro por dragagem como de grande potencial poluidor ou degradador e estabelece validade de um ano para a licença restabelecida.

Restrições para a exploração

A autorização estabelece 22 condições que devem ser cumpridas pelas cooperativas durante as atividades. Entre as restrições está a proibição da exploração mineral nas margens do rio, nas proximidades de desembocaduras de igarapés e rios afluentes, lagos, remansos, áreas de desova de quelônios e no canal de navegação.

A licença também proíbe o lançamento de óleos, graxas e outras substâncias capazes de causar poluição da água.

Outra exigência determina a paralisação imediata das atividades caso sejam encontrados vestígios arqueológicos, históricos ou artísticos. Nessa situação, os responsáveis deverão comunicar o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e o Ipaam.

As cooperativas também devem informar ao órgão ambiental, no prazo de até 90 dias, a quantidade de balsas e dragas utilizadas na operação, além da identificação dos proprietários dos equipamentos.

Fiscalização ambiental

O descumprimento das condições previstas na licença pode levar à invalidação da autorização e à aplicação das penalidades estabelecidas na legislação ambiental.

O Ipaam informou que continua responsável pela fiscalização das condições da exploração. As cooperativas devem cumprir as exigências de regularização e os procedimentos relacionados à eventual renovação das licenças, que estão em andamento.

O órgão reforçou que a obrigação de cumprir a legislação ambiental permanece válida e que possíveis irregularidades estão sujeitas à fiscalização e às medidas administrativas cabíveis.

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Marcelo Torres
Marcelo Torreshttps://portalmeuamazonas.com.br
Marcelo Torres é jornalista, com atuação voltada à cobertura de cotidiano e temas de interesse público. Com olhar atento aos fatos e compromisso com a apuração responsável, prioriza informação clara, contextualizada e de relevância para o leitor.

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