Polícia Civil do Amazonas cumpre vinte e seis mandados e bloqueia bens de grupos suspeitos de cobrar dívidas com violência em Manaus e outros estados
Manaus (AM) – A Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) deflagrou, na manhã desta quarta-feira (20), a operação Covil do Mamon, que investiga duas organizações criminosas suspeitas de manter uma rede de agiotagem, extorsão, tortura, homicídios, sequestros e lavagem de dinheiro com atuação em Manaus e outros estados do país.
A investigação aponta que os grupos transformavam empréstimos ilegais em um sistema de cobrança violenta, marcado por ameaças, agressões físicas e, em alguns casos, assassinatos relacionados às dívi
A justiça autorizou o cumprimento de vinte e seis mandados de prisão preventiva e trinta e um mandados de busca domiciliar, além do bloqueio de patrimônio ligado aos investigados.
Entre as medidas judiciais estão o sequestro de quarenta e dois veículos, sete imóveis, bloqueio de contas bancárias e suspensão das atividades de sete empresas suspeitas de funcionar como instrumentos para ocultação de patrimônio e movimentação financeira ilegal.
Investigação aponta lavagem de mais de R$ 24 milhões
Segundo a Polícia Civil, uma das organizações investigadas movimentou mais de R$ 24 milhões, valor supostamente oriundo das atividades criminosas.
As apurações indicam que o dinheiro circulava por meio de empresas e operações financeiras usadas para ocultar patrimônio e dificultar o rastreamento das transações.
A polícia informou que ainda investiga a movimentação financeira da segunda organização. A análise depende do cumprimento de medidas de quebra de sigilo bancário autorizadas pela Justiça.
Esquema teria ramificações fora do Amazonas
As investigações revelaram que o grupo não atuava apenas no Amazonas.
A suspeita é de que a rede criminosa mantinha conexões financeiras e operacionais em Santa Catarina, Paraíba e Roraima, ampliando o alcance do esquema para além da região Norte.
Em um dos desdobramentos da operação, investigadores também apuram a possível participação de agentes ligados às forças de segurança pública, hipótese que ainda segue sob investigação e não teve detalhes divulgados oficialmente pelas autoridades.
Outro ponto investigado é o papel de um suposto líder do grupo, que, segundo informações policiais divulgadas por veículos locais, estaria internado em uma unidade hospitalar de Manaus enquanto continuaria coordenando parte das atividades criminosas.
Como funcionava a cobrança
Segundo os investigadores, os grupos ofereciam empréstimos rápidos para pessoas em dificuldade financeira, sem exigências formais.
O problema começava quando a vítima atrasava pagamentos.
A dívida aumentava rapidamente devido aos juros considerados abusivos. Em seguida, surgiam ameaças, intimidação psicológica e violência.
A Polícia Civil afirma ter identificado relatos de tortura, sequestro, cárcere privado e homicídios ligados ao sistema de cobrança.
Por que a agiotagem cresce?
A agiotagem, de acordo com economistas consultados pela reportagem, costuma avançar em períodos de crise econômica, quando trabalhadores informais, pequenos comerciantes e famílias endividadas enfrentam dificuldade de acesso ao crédito bancário.
Sem alternativa, muitas pessoas recorrem a empréstimos informais que acabam se transformando em ciclos de violência e endividamento permanente.
No Amazonas, operações contra agiotagem se intensificaram nos últimos anos, principalmente em Manaus, onde investigações passaram a identificar organizações estruturadas usando empresas de fachada e movimentações financeiras complexas para esconder patrimônio.
Investigações continuam
A Polícia informou que a operação continua ao longo do dia e novas informações sobre prisões, apreensões e possíveis envolvidos serão divulgados.
Crime de agiotagem
Agiotagem é crime previsto na legislação brasileira. Casos de ameaça, extorsão ou violência relacionados a empréstimos ilegais podem ser denunciados pelo número 181, da Secretaria de Estado de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM), com garantia de anonimato.
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