Manaus (AM) – A Justiça do Amazonas decidiu levar a júri popular o sargento da Polícia Militar Saimon Macambira Jezini e o cabo Jobison de Souza Vieira pela tentativa de homicídio contra o músico Eduardo de Souza Oliveira, conhecido como “Dubarranco”, a esposa dele e a filha do casal, que tinha apenas 4 anos na época do atentado.
A decisão foi assinada pelo juiz Fábio César Olintho de Souza, da 1ª Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Manaus. Segundo o processo, o crime aconteceu na noite de 9 de agosto de 2025, véspera do Dia dos Pais, na Avenida Maneca Marques, no bairro Parque Dez, zona Centro-Sul da capital amazonense.
De acordo com a denúncia do Ministério Público do Amazonas (MPAM), a família estava dentro de um carro parado em um semáforo quando foi surpreendida por vários disparos de arma de fogo efetuados por um homem que estava na garupa de uma motocicleta branca.
As investigações apontam que o atentado teria sido planejado por Saimon Macambira e motivado por “ciúme possessivo e vingança”. Conforme o MPAM, o policial teria descoberto que o músico manteve um relacionamento amoroso com sua atual companheira durante um período em que Eduardo estava separado da esposa.
Entenda o caso
Segundo os autos, Eduardo foi atingido por quatro tiros e sofreu fraturas e perda do nervo radial, o que comprometeu permanentemente os movimentos do punho e encerrou sua carreira musical.
A filha do casal, de apenas 4 anos, foi baleada três vezes enquanto estava no colo do pai. A criança sofreu perfuração no pulmão, fratura no braço e precisou receber seis bolsas de sangue, permanecendo em estado gravíssimo por vários dias.
Já a esposa do músico, que dirigia o veículo no momento do ataque, foi atingida na perna e também sofreu ferimentos provocados por estilhaços.
Na decisão, o magistrado afirmou que os laudos periciais comprovaram as múltiplas perfurações no veículo e as lesões sofridas pelas vítimas.
“O executor certamente representou como resultado possível e provável a morte não apenas da vítima Eduardo, mas também dos demais ocupantes do automóvel”, destacou o juiz ao manter a tese de dolo eventual contra a mulher e a criança.
O que muda
Com a decisão de pronúncia, os dois policiais militares serão julgados pelo Tribunal do Júri, responsável por analisar crimes dolosos contra a vida.
A defesa dos acusados ainda poderá recorrer da decisão.
O caso teve forte repercussão em Manaus pela gravidade do atentado, ocorrido contra uma família inteira dentro de um veículo, incluindo uma criança de apenas 4 anos.
SAIBA MAIS
A decisão de pronúncia é a etapa em que a Justiça entende existir indícios suficientes de autoria e materialidade para que o caso seja analisado pelo Tribunal do Júri. Crimes contra a vida, como homicídio e tentativa de homicídio, são julgados por cidadãos escolhidos para compor o conselho de sentença.
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