Manaus (AM) – Os policiais militares Belmiro Wellington Costa Xavier e Hudson Marcelo Vilela de Campos apresentaram-se às autoridades na noite desta terça-feira (21), poucas horas após a Justiça do Amazonas decretar a prisão preventiva de ambos.
Eles são os principais suspeitos pela morte de Carlos André de Almeida Cardoso, de 19 anos, ocorrida durante uma abordagem policial no último domingo (19), no bairro Alvorada, Zona Centro-Oeste de Manaus.
Reconsideração judicial e provas em vídeo
A decisão que levou os agentes à prisão partiu do juiz Alcides Carvalho Vieira Filho, que reconsiderou a liberdade provisória concedida anteriormente a um dos envolvidos. O magistrado baseou a nova decisão em vídeos de câmeras de segurança que mostram que o jovem não oferecia resistência no momento em que foi cercado, agredido e atingido por um tiro no peito.
As imagens contradizem a versão inicial apresentada pelos policiais no Boletim de Ocorrência.
Atuação do Ministério Público
A promotora de Justiça Adriana Espinheira, do Ministério Público do Amazonas (MPAM), foi peça-chave na reviravolta do caso. O MPAM interpôs um recurso destacando o risco à ordem pública e a gravidade concreta da conduta dos PMs, apontando inclusive indícios de tentativa de alteração da cena do crime e da verdade dos fatos.
Com o parecer favorável do órgão, os mandados de prisão foram expedidos e cumpridos com a apresentação espontânea dos militares.
Custódia e continuidade das investigações
Após se entregarem, os policiais foram encaminhados para os procedimentos cabíveis e devem permanecer custodiados em uma unidade prisional militar, à disposição da Justiça. A investigação continua para apurar todas as circunstâncias do uso excessivo da força e as inconsistências nos depoimentos colhidos logo após o crime. O caso segue sob forte acompanhamento da Corregedoria de Segurança Pública e de órgãos de direitos humanos.
SAIBA MAIS
O recolhimento de policiais militares em prisão preventiva geralmente ocorre no Batalhão de Guarda da PM, enquanto aguardam o desenrolar do processo criminal e do Inquérito Policial Militar (IPM). O crime de homicídio, quando praticado por agentes de segurança com indícios de execução ou excesso, pode levar à expulsão da corporação ao final do processo administrativo.
Veja o vídeo da ocorrência
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