Professor de jiu-jítsu é preso por abuso em Manaus; caso amplia série de denúncias no esporte

Investigado por estupro de vulnerável, importunação sexual, exploração sexual e outros crimes contra crianças e adolescentes, ele estava foragido desde o fim de maio, quando a Justiça decretou sua prisão preventiva.

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Manaus (AM) – A Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) prendeu, nesta segunda-feira (6), o professor de jiu-jítsu Carlos Vieira Holanda, de 47 anos, conhecido como “Esquisito”. Investigado por estupro de vulnerável, importunação sexual, exploração sexual e outros crimes contra crianças e adolescentes, ele estava foragido desde o fim de maio, quando a Justiça decretou sua prisão preventiva.

A Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca) cumpriu o mandado de prisão na casa do investigado, em Manaus. Segundo a polícia, ele tentou escapar pela laje do imóvel, onde havia preparado uma rota de fuga com tábuas, mas os agentes já haviam cercado toda a área.

Até o momento, a investigação identificou sete vítimas, entre crianças e adolescentes. A Polícia Civil não descarta que novas denúncias surjam durante o andamento do inquérito.

Polícia aponta promessa de benefícios para atrair vítimas

De acordo com a delegada Mayara Magna, responsável pelo caso, Carlos Holanda utilizava a posição de professor de jiu-jítsu para conquistar a confiança de adolescentes e, posteriormente, cometer os abusos.

Segundo a delegada, ele prometia fornecer quimonos, pagar inscrições em campeonatos e oferecer oportunidades no esporte para se aproximar das vítimas.

“Prometia quimonos, prometia pagar inscrições e acabava levando essas adolescentes para motéis, onde cometia os abusos”, afirmou.

A investigação também apura denúncias de exploração sexual. Conforme a Polícia Civil, em um dos casos, o investigado teria obrigado uma adolescente a produzir conteúdo sexual para um empresário.

“Estamos investigando também os empresários e outras pessoas que colaboraram com ele”, declarou Mayara Magna.

As investigações indicam ainda que o professor mencionava a existência de “meninas novas” a pessoas que, segundo a polícia, também poderão responder criminalmente caso o envolvimento seja comprovado.

Prisão encerra mais de um mês de buscas

A Justiça expediu o mandado de prisão preventiva em 30 de maio. Desde então, equipes da Depca monitoravam os passos do investigado.

Segundo a delegada, os policiais chegaram a cumprir um mandado de busca na residência dele há cerca de um mês, mas Carlos Holanda conseguiu fugir antes da chegada da equipe.

Após novas diligências e informações do setor de inteligência da Polícia Civil, os investigadores concluíram que ele havia retornado ao imóvel. A operação para cumprir a prisão, planejada no domingo (5), terminou executada na manhã desta segunda-feira.

Sequência de casos preocupa autoridades

A prisão de Carlos Holanda amplia uma sequência de investigações envolvendo professores e treinadores de jiu-jítsu no Amazonas.

Nos últimos dois anos, diferentes operações policiais revelaram denúncias de violência sexual envolvendo profissionais ligados à modalidade, levando autoridades a reforçar o monitoramento de academias e projetos esportivos voltados ao atendimento de crianças e adolescentes.

Entre os casos de maior repercussão está o do professor Alcenor Alves Soeiro, preso em 2024 e condenado neste ano a 178 anos e cinco meses de prisão por estupro de vulnerável contra diversos ex-alunos, no desdobramento da Operação Armlock.

Em 2025, outro professor acabou preso em Humaitá, suspeito de abusar de cinco meninos com idades entre 7 e 11 anos.

Já em 2026, o treinador Melqui Galvão, também policial civil, foi preso após denúncias de abuso sexual apresentadas por ex-alunas. No mesmo período, outro professor de jiu-jítsu acabou preso em uma operação da Polícia Civil e da Polícia Federal por suspeita de produzir e compartilhar material de abuso sexual infantil.

Segundo a Polícia Civil, a repercussão desses casos tem encorajado novas vítimas a denunciar crimes que permaneceram ocultos durante anos.

Investigações continuam

A Depca informou que continuará apurando o caso para identificar outras possíveis vítimas e verificar a participação de terceiros nas denúncias de exploração sexual.

Carlos Vieira Holanda permanece preso e à disposição da Justiça. A defesa dele não havia se manifestado até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto para eventual posicionamento.


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