Manaus (AM) – O treinador de jiu-jitsu Melqui Galvão foi preso na noite de segunda-feira (27). Melqui, que também é policial civil no Amazonas, é investigado por suspeita de crimes sexuais contra alunas, incluindo menores de idade. A prisão temporária foi cumprida em Manaus após o mandado ser expedido pela Justiça paulista.
As investigações e as vítimas
O caso é conduzido pela 8ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de São Paulo, que já identificou pelo menos três vítimas em diferentes estados. A denúncia que deu início ao processo partiu de uma ex-aluna de 17 anos, atualmente morando nos Estados Unidos. Ela relatou abusos ocorridos durante uma competição internacional.
Durante as diligências, outras duas vítimas foram ouvidas. Em um dos relatos mais graves, uma das mulheres afirmou que os abusos começaram quando ela tinha apenas 12 anos. Segundo a polícia, existe uma gravação na qual o investigado admite indiretamente os atos e tenta negociar o silêncio das vítimas com promessas de compensação financeira.
Repercussão no Esporte
Melqui Galvão é uma figura de destaque mundial na modalidade, conhecido como o “Treinador dos Campeões” e pai do atleta Mica Galvão. O caso provocou uma onda de indignação na comunidade esportiva.
- Afastamento: A Confederação Brasileira de Jiu-Jitsu Esportivo (CBJJE) baniu o professor de suas atividades. Em nota, a instituição afirmou:
- “A CBJJE tomou conhecimento de denúncias de conduta inadequada e mandado de prisão envolvendo o professor Melqui Galvão. Reafirmamos: não há espaço para qualquer forma de abuso ou assédio dentro do jiu-jitsu. Como medida imediata, o professor está afastado de todas as atividades vinculadas à confederação”.
Reação Política e Proteção
A deputada estadual Alessandra Campelo (PSD), Procuradora Especial da Mulher na ALEAM, manifestou repúdio ao caso e cobrou rigor máximo.
“Estamos diante de uma situação extremamente grave. Quando alguém se aproveita do esporte, que deveria ser um ambiente de proteção, disciplina e formação, para cometer crimes dessa natureza, isso precisa ser tratado com máxima seriedade e rigor”, afirmou a deputada.
A parlamentar reforçou que a Procuradoria está pronta para oferecer apoio jurídico e psicológico gratuito a possíveis novas vítimas e destacou a importância da campanha Finalize!, que combate o assédio no esporte amazonense.
“A sociedade não aceita mais esse tipo de comportamento. O esporte é lugar de respeito. Quem usa essa posição para abusar precisa responder à Justiça”, declarou.
🔵 ENTENDA
A prisão temporária (válida por 30 dias em casos de crimes hediondos ou graves) visa garantir que o investigado não interfira nas provas ou coaja testemunhas enquanto o inquérito é finalizado. Por ser policial civil, o caso também deve ser acompanhado pela Corregedoria de Segurança Pública do Amazonas para a abertura de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD), que pode resultar na expulsão da corporação.
SAIBA MAIS
Se você ou alguém que você conhece foi vítima de abuso ou assédio, denuncie. Os canais oficiais são o Disque 100, 180 e o WhatsApp da Procuradoria da Mulher da ALEAM: (92) 99400-0093. O sigilo é garantido por lei. As autoridades acreditam que, com a divulgação da prisão, novas vítimas possam aparecer para prestar depoimento.
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