Levantamento registrado no TSE mostra Omar Aziz na liderança ao Governo do Amazonas e indica disputa intensa entre grupos políticos na corrida ao Senado em 2026
Manaus (AM) – A primeira grande fotografia eleitoral das eleições de 2026 no Amazonas mostra um cenário de disputa fragmentada para o Governo do Estado e uma corrida ao Senado já marcada por alianças políticas regionais.
Pesquisa do Instituto Census, registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número AM-02868/2026, aponta o senador Omar Aziz (PSD) na liderança da corrida ao Governo do Amazonas, enquanto Eduardo Braga (MDB) e Capitão Alberto Neto (PL) aparecem à frente na disputa pelas duas vagas ao Senado. O levantamento ouviu 2 mil eleitores entre os dias 6 e 10 de maio de 2026, com margem de erro de 2,2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
Omar Aziz abre vantagem na corrida ao Governo
No cenário estimulado — quando os nomes são apresentados ao eleitor — Omar Aziz aparece com 35% das intenções de voto, seguido por Maria do Carmo (PL), com 22%, David Almeida (Avante), com 17%, e Roberto Cidade (União Brasil), com 14%. Outros 6% disseram votar branco ou nulo, enquanto 6% afirmaram não saber ou preferiram não responder.
Nos votos válidos, quando são excluídos brancos, nulos e indecisos — modelo semelhante ao utilizado pela Justiça Eleitoral — Omar sobe para 40%, Maria do Carmo registra 25%, David Almeida alcança 20%, e Roberto Cidade aparece com 16%.
O dado sugere, neste momento, uma disputa dividida em três blocos principais: a oposição tradicional liderada por Omar Aziz, o campo conservador representado por Maria do Carmo e o grupo ligado à atual estrutura administrativa estadual e municipal, com David Almeida e Roberto Cidade.
Onde cada candidato é mais forte
Os números revelam diferenças importantes entre capital e interior, uma das marcas históricas das eleições amazonenses.
Omar Aziz apresenta desempenho mais forte no interior do Amazonas, onde chega a 44%, contra 26% em Manaus. Já Maria do Carmo mostra força maior na capital, alcançando 27%, enquanto cai para 16% no interior. David Almeida mantém desempenho relativamente equilibrado (18% na capital e 16% no interior) e Roberto Cidade oscila pouco entre os dois cenários (15% e 13%).
Na prática, os números sugerem uma eleição em que o interior pode voltar a ter peso decisivo — especialmente porque o Amazonas possui municípios de difícil acesso e forte influência política regional.
O voto jovem pode pesar
Outro dado relevante da pesquisa é o desempenho de Omar Aziz entre os mais jovens. Na faixa de 16 a 24 anos, o senador chega a 44% das intenções de voto, percentual acima da média geral do levantamento. Entre eleitores acima de 60 anos, a disputa fica mais equilibrada, com crescimento de Maria do Carmo e David Almeida.
A escolaridade também cria diferenças. Omar lidera com maior folga entre eleitores com menor escolaridade, enquanto Maria do Carmo e Roberto Cidade apresentam desempenho relativamente melhor entre pessoas com ensino superior.
Senado já desenha possíveis alianças para 2026
A corrida ao Senado tem uma dinâmica própria no Amazonas porque o eleitor poderá votar em dois candidatos.
Nesse cenário, Eduardo Braga (MDB) lidera o levantamento com 48% das intenções totais, seguido por Capitão Alberto Neto (PL), com 41%. Depois aparecem Plínio Valério (PSDB), com 28%, Wilson Lima (União Brasil), com 24%, Marcos Rotta (Avante) e Marcelo Ramos (PT), ambos com 18%.
Nos votos válidos, Eduardo Braga chega a 54%, enquanto Capitão Alberto Neto alcança 46%, abrindo vantagem na disputa pelas duas cadeiras disponíveis.
O que os cruzamentos revelam
Os cruzamentos do levantamento sugerem afinidades eleitorais já em formação.
Entre os eleitores de Maria do Carmo, 48% também escolhem Capitão Alberto Neto para o Senado, indicando um bloco conservador potencialmente consolidado. Já entre os eleitores de Omar Aziz, 54% também escolhem Eduardo Braga, reforçando uma conexão política já conhecida no Amazonas.
No grupo ligado à Prefeitura de Manaus, a pesquisa mostra proximidade entre David Almeida e Marcos Rotta, embora o vice-prefeito ainda apareça distante dos líderes da disputa ao Senado.
O levantamento também mostra um desafio para o grupo do governador Wilson Lima, já que o eleitorado governista parece dividir preferências entre diferentes nomes ao Senado, o que pode dificultar uma transferência automática de capital político.
O que ainda pode mudar até 2026
Apesar do retrato atual, especialistas em comportamento eleitoral costumam alertar que pesquisas realizadas muito antes do período oficial de campanha funcionam mais como um termômetro de posicionamento político do que como previsão definitiva de resultado.
O cenário ainda pode mudar com:
- definição oficial das candidaturas;
- alianças partidárias;
- entrada ou saída de nomes competitivos;
- tempo de televisão e redes sociais;
- aprovação de governos e impacto da economia.
No Amazonas, onde alianças regionais costumam redefinir eleições, o peso do interior e das “dobradinhas” políticas pode ser decisivo.
Pesquisa registrada no TSE: AM-02868/2026
Instituto: Census Pesquisa e Inteligência
Contratante: Instituto Somar
Período da coleta: 6 a 10 de maio de 2026
Entrevistas: 2 mil eleitores por telefone em todo o Amazonas
Margem de erro: 2,2 pontos percentuais
Nível de confiança: 95%
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