Manaus (AM) – O Senado Federal aprovou nesta terça-feira (5) o Projeto de Lei nº 6.132/2025, que cria a Universidade Federal Indígena (Unind), instituição voltada à formação superior intercultural dos povos originários no Brasil. A proposta, enviada pela Presidência da República e já aprovada pela Câmara dos Deputados, teve relatoria do senador Eduardo Braga e agora segue para sanção presidencial.
Durante a votação, Braga destacou a importância da nova universidade para o Amazonas, estado que possui a maior população indígena e a maior diversidade étnica indígena do país.
“O meu Estado é o que tem a maior população indígena do Brasil e a maior diversidade étnica dos povos indígenas do Brasil. Portanto, uma Universidade Federal Indígena fará uma grande diferença”, afirmou o senador.
Segundo o parlamentar, a proposta representa uma mudança histórica no modelo de educação voltado aos povos indígenas, rompendo com práticas consideradas assimilacionistas e garantindo ensino superior adaptado às realidades culturais e linguísticas de cada etnia.
A Universidade Federal Indígena terá sede administrativa em Brasília, mas contará com estrutura multicêntrica, com campi distribuídos em diferentes regiões brasileiras.
Para Eduardo Braga, o formato descentralizado é essencial devido às dimensões continentais do país e à diversidade dos povos indígenas.
“Um país de dimensões continentais não poderia ter uma universidade centralizada, que não respeitasse essa diversidade”, declarou.
Entenda o que muda
A proposta prevê que a Unind una conhecimentos científicos e saberes tradicionais indígenas. O objetivo é fortalecer a produção acadêmica voltada à gestão territorial, preservação ambiental, valorização cultural e garantia de direitos dos povos originários.
O projeto também estabelece que os cargos de reitor e vice-reitor sejam ocupados obrigatoriamente por docentes indígenas, garantindo autonomia administrativa e representatividade na condução da instituição.
Outro diferencial será a possibilidade de processos seletivos próprios, adaptados às especificidades linguísticas e culturais das comunidades indígenas brasileiras.
Impacto para o Amazonas
A criação da universidade tem impacto direto para o Amazonas, estado que concentra dezenas de povos indígenas e grandes territórios tradicionais. A expectativa é ampliar o acesso ao ensino superior em regiões historicamente afastadas dos grandes centros urbanos.
Além da formação acadêmica, a proposta busca fortalecer políticas públicas voltadas à preservação cultural e ambiental na Amazônia.
SAIBA MAIS
A proposta da Universidade Federal Indígena integra políticas nacionais de ampliação do acesso ao ensino superior para populações tradicionais e indígenas. Nos últimos anos, universidades federais já passaram a adotar ações afirmativas e programas específicos para estudantes indígenas em diversas regiões do país.
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