Manaus (AM) – Pacientes do interior do Amazonas continuam enfrentando longas viagens para realizar exames e tratamentos oncológicos de média e alta complexidade. O problema foi levado à tribuna da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) nesta terça-feira (9), quando a deputada estadual Brena Dianná (União Brasil) defendeu a criação de centros de tratamento de câncer em municípios-polo do estado.
Segundo a parlamentar, a descentralização dos serviços especializados pode reduzir deslocamentos e facilitar o acesso da população do interior à saúde.
Atualmente, pacientes de diversas regiões amazonenses precisam recorrer ao programa de Tratamento Fora de Domicílio (TFD) para receber atendimento em Manaus.
Distâncias dificultam acesso ao tratamento
Para milhares de moradores das calhas dos rios amazonenses, o acesso a serviços de oncologia exige deslocamentos que podem durar horas ou até dias, dependendo da localidade.
A realidade afeta pacientes que necessitam de consultas especializadas, exames de diagnóstico, quimioterapia e outros procedimentos disponíveis principalmente na capital.
Durante o pronunciamento, Brena Dianná afirmou que pretende apresentar a proposta à Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM).
“Nós precisamos descentralizar algumas responsabilidades, até para facilitar o acesso à saúde pela população do interior amazonense”, declarou.
Concentração dos serviços é desafio histórico
A concentração de serviços de alta complexidade em Manaus é uma das principais dificuldades enfrentadas por moradores do interior do estado.
Além dos custos logísticos, muitos pacientes precisam permanecer por longos períodos longe da família para concluir tratamentos médicos.
Especialistas em gestão pública apontam que a regionalização da saúde é um dos principais desafios do Amazonas devido às grandes distâncias e às características geográficas do estado.
Passagens para Parintins também entraram em debate
Durante a sessão, a deputada também criticou os preços das passagens aéreas para Parintins às vésperas do festival folclórico.
Segundo ela, uma consulta realizada nesta terça-feira apontou tarifas de até R$ 2.908 para o trecho Manaus–Parintins.
A parlamentar afirmou que os valores podem dificultar o deslocamento de turistas e moradores durante o principal evento econômico e cultural do município.
Falta de documento afeta trabalhadores do interior
Outro tema discutido na Aleam foi a dificuldade para emissão da Carteira de Identidade Nacional (CIN) em municípios do interior.
O deputado estadual Comandante Dan (Republicanos) relatou que encontrou trabalhadores sem acesso ao documento durante visitas a associações de pescadores em Coari e Borba.
Segundo o parlamentar, a situação tem dificultado o acesso de parte da população a benefícios como o seguro-defeso.
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