Manaus (AM) – O delegado-geral da Polícia Civil do Amazonas, Bruno Fraga, afirmou nesta segunda-feira (27) que a corporação irá “até o inferno” para capturar todos os envolvidos na morte do investigador Luciano Carvalho de Sena, morto durante uma operação contra o tráfico de drogas no bairro Alvorada, na zona Centro-Oeste de Manaus.
Durante coletiva de imprensa que apresentou o balanço da operação, Fraga fez um discurso emocionado, lamentou a perda do policial e garantiu que a resposta das forças de segurança será ainda mais rigorosa.
“Aviso para os vagabundos: se acham que fizeram com que a Polícia Civil parasse, erraram. Erraram muito. A gente vai até o final. Se tiver que ir ao inferno, nós vamos. Não vai ter problema nenhum”, declarou.
Polícia apreendeu cerca de uma tonelada de drogas
Apesar da morte do investigador, a operação resultou na apreensão de aproximadamente uma tonelada de maconha, considerada uma das maiores apreensões do ano no Amazonas.
Segundo Bruno Fraga, a ofensiva contou com a atuação integrada de diversos departamentos da Polícia Civil, além do apoio da Polícia Militar, da Secretaria de Segurança Pública (SSP-AM) e do sistema de inteligência do Estado.
O delegado ressaltou que dezenas de policiais se apresentaram voluntariamente para reforçar as buscas pelos criminosos após o ataque que matou Luciano.

“Perdemos um colega, a família está de luto, a Polícia Civil está de luto. Mas, mesmo chorando, vamos continuar. Os criminosos vão sofrer com a atuação da polícia”, afirmou.
Investigador foi morto durante abordagem
De acordo com o delegado Rodrigo Torres, do Departamento de Investigação sobre Narcóticos (Denarc), a investigação que resultou na operação vinha sendo conduzida há cerca de três meses.
Na sexta-feira, as equipes monitoravam Rafael, apontado como responsável por abastecer pontos de tráfico em Manaus. Os policiais flagraram o momento em que ele entregava drogas a outro suspeito, identificado como Tiago.
Durante a abordagem, Rafael reagiu atirando contra os agentes. O investigador Luciano Carvalho de Sena foi atingido por um disparo fatal na região da traqueia e morreu.
Tonelada de drogas foi encontrada em condomínio de luxo
Após o confronto, as equipes localizaram a residência de Rafael, no Condomínio Quinta das Marinas, onde foram encontrados 840 quilos de maconha.
Somados aos 160 quilos apreendidos durante a tentativa de abordagem, o total chegou a aproximadamente uma tonelada de entorpecentes.
Bruno Fraga criticou a estratégia utilizada pelas organizações criminosas, que escondem grandes carregamentos de drogas em imóveis de alto padrão.
“Percebam a audácia desses criminosos, que escondem drogas em casas de luxo achando que vão enganar o trabalho da inteligência da polícia”, afirmou.
Principal suspeito morreu em confronto
Após fugir do local do ataque, Rafael foi localizado horas depois em uma área de mata nas proximidades de Itacoatiara.
Segundo o coordenador da Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (Core), delegado Juan Valério, as equipes percorreram cerca de 1,5 quilômetro de mata fechada e avançaram rastejando por aproximadamente 200 metros para surpreender o suspeito.
Ao perceber a aproximação dos policiais, Rafael voltou a atirar e foi baleado. Ele chegou a ser socorrido para um hospital de Itacoatiara, mas não resistiu aos ferimentos.
Cinco pessoas foram presas e uma segue foragida
As investigações levaram à prisão de Maiara, companheira de Rafael, que confirmou em depoimento que ele foi o autor do disparo que matou o investigador.
Também foram presos Tiago, apontado como destinatário da droga, Mateus, outro integrante da organização criminosa, e um policial militar, suspeito de atuar como escolta do grupo e de utilizar seu veículo para transportar entorpecentes.
Já a irmã de Maiara teve a prisão decretada, mas não foi localizada e é considerada foragida.
Polícia promete ampliar combate ao crime organizado
Ao encerrar a coletiva, Bruno Fraga afirmou que a morte de Luciano Carvalho não enfraquecerá o trabalho da Polícia Civil e reforçou que nenhum integrante da organização criminosa ficará impune, mesmo que seja agente de segurança pública.
“Se tiver policial envolvido, será preso do mesmo jeito. Esse é o compromisso da Polícia Civil com a população do Amazonas. Nós não vamos recuar um milímetro no enfrentamento ao crime organizado.”
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