Boletim epidemiológico consolida dados de 2025 e identifica casos da “doença da urina preta” associados ao consumo de pacu em Itacoatiara
Monitoramento da Doença de Haff no Amazonas
Manaus (AM) – A Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP) divulgou, nesta quinta-feira (29/01), o panorama epidemiológico da rabdomiólise associada à Doença de Haff no Amazonas referente ao ano de 2025.
O levantamento técnico registrou nove notificações de rabdomiólise em três municípios do estado. Desses registros, três casos foram classificados como compatíveis com a Doença de Haff, conforme critérios clínicos, laboratoriais e epidemiológicos adotados pela vigilância em saúde.
O que é a Doença de Haff
A Doença de Haff é uma forma rara de rabdomiólise associada à ingestão de pescados contaminados por uma toxina biológica ainda não completamente identificada. A condição provoca a ruptura das fibras musculares, liberando mioglobina na corrente sanguínea, o que pode causar lesão renal aguda e a característica coloração escura da urina, conhecida como mioglobinúria.
Casos concentrados em Itacoatiara
As ocorrências compatíveis com a doença concentraram-se exclusivamente na zona urbana de Itacoatiara. O monitoramento epidemiológico identificou dois casos em junho e um em dezembro de 2025.
As investigações conduzidas pelas equipes de saúde apontaram que dois pacientes pertenciam ao mesmo núcleo familiar, o que reforça o nexo causal relacionado ao compartilhamento de refeições preparadas com o mesmo pescado.
Segundo a diretora-presidente da FVS-RCP, Tatyana Amorim, o boletim evidencia a importância da vigilância permanente.
Conforme destacou Tatyana Amorim, mesmo com o número reduzido de casos, o monitoramento contínuo permanece essencial, especialmente por envolver o pescado, base da alimentação regional e elemento central da segurança alimentar no Amazonas.
Sintomas e confirmação laboratorial
Os pacientes diagnosticados apresentaram quadro clínico típico de rabdomiólise, com fraqueza muscular intensa, dores musculares agudas e urina escura. Em média, os sintomas surgiram cerca de nove horas após o consumo do peixe.
A confirmação diagnóstica ocorreu por meio de exames laboratoriais, com elevação significativa da creatinofosfoquinase (CPK). Segundo o boletim, o valor médio registrado foi de 6.400 µ/L, índice compatível com lesão muscular grave, característica da Doença de Haff.
Dados consolidados do boletim
| Município | Casos notificados | Casos compatíveis | Espécie associada |
|---|---|---|---|
| Itacoatiara | 3 | 3 | Pacu |
| Outros (AM) | 6 | 0 | Não informado |
Contexto amazônico e segurança alimentar
Para a população do Amazonas, o acompanhamento desses casos tem relevância direta, já que o peixe é a principal fonte de proteína e sustento econômico de milhares de famílias ribeirinhas e urbanas.
Segundo a coordenadora do Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde do Amazonas (Cievs-AM), Roberta Danielli, todos os casos compatíveis relataram consumo de pacu, preparado frito ou assado, no ambiente domiciliar.
De acordo com Roberta Danielli, a detecção precoce é o principal mecanismo para evitar complicações renais e garantir a segurança alimentar nas diferentes calhas dos rios amazonenses.
Por que isso importa para o Amazonas
A Doença de Haff envolve diretamente hábitos alimentares tradicionais e a cadeia do pescado, eixo central da cultura e da economia regional. A vigilância epidemiológica, portanto, atua como ferramenta estratégica para proteger a saúde da população, preservar a confiança no consumo de peixe e evitar impactos sociais e econômicos mais amplos.
( * ) Com informações da Agência Amazonas
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