Procedimento administrativo apura falta de médicos, gerador de energia ineficiente e ausência de reformas na unidade de saúde do interior.
Manaus (AM) – O Ministério Público do Amazonas (MPAM) instaurou um procedimento administrativo para fiscalizar as condições estruturais e de pessoal da Unidade Hospitalar Maria da Glória Dantas de Lima, no município de Ipixuna. A iniciativa detalha problemas na logística de insumos, falhas no gerenciamento de recursos humanos e aplicação insuficiente de verbas financeiras na infraestrutura de saúde local.
O que motivou a fiscalização do MPAM no hospital de Ipixuna?
O MPAM instaurou o procedimento após constatar que a Unidade Hospitalar Maria da Glória Dantas de Lima opera com graves deficiências estruturais, sem reformas significativas desde 2017.
A fiscalização apura a falta de equipamentos essenciais, como mamógrafo, a incapacidade do gerador de energia e a ausência de médicos e enfermeiros concursados no quadro funcional.
As informações técnicas colhidas pelos promotores de Justiça apontam que o grupo gerador de energia atual não possui capacidade para manter o hospital funcionando em caso de apagão. Esse fator gera risco iminente para a continuidade dos serviços de urgência e emergência no interior do estado.
Na área de recursos humanos, a fiscalização detectou a falta de enfermeiros e a total inexistência de médicos vinculados diretamente ao quadro permanente, o que exige a realização de concurso público para a recomposição das equipes.
Conforme o promotor de Justiça José Ricardo Moraes da Silva, o procedimento administrativo busca assegurar o direito fundamental à saúde dos moradores. O integrante do órgão ministerial pontuou que a instituição cobrará soluções concretas e delimitará as responsabilidades entre o município e o Estado do Amazonas para que o serviço ganhe qualidade e continuidade, assegurou.
A tabela abaixo compara as principais irregularidades apontadas pelo relatório técnico do Ministério Público na unidade de saúde de Ipixuna:
| Área Avaliada | Situação Encontrada pelo MPAM | Impacto Direto na População |
| Infraestrutura Física | Sem reformas significativas desde o ano de 2017. | Ambientes defasados e deterioração do prédio. |
| Equipamentos | Ausência de mamógrafo e aparelhos básicos de exames. | Necessidade de deslocamento para outras cidades. |
| Segurança Energética | Grupo gerador com capacidade insuficiente para a demanda. | Risco de interrupção de tratamentos em apagões. |
| Recursos Humanos | Falta de enfermeiros e zero médicos concursados no quadro. | Plantões desfalcados e dependência de contratos temporários. |
Contexto Amazônico e Impacto Regional
A precariedade na saúde pública de Ipixuna (município localizado a 1.367 quilômetros de Manaus, na calha do Juruá) reflete o desafio logístico e socioeconômico do interior da Amazônia. O isolamento geográfico agrava a fixação de profissionais de medicina e o abastecimento de insumos básicos. Quando o único hospital da cidade apresenta falhas no gerador e falta de médicos, a população ribeirinha perde o acesso ao atendimento básico, dependendo de remoções aéreas de alto custo para a capital.
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