Manaus (AM) – O Amazonas deve registrar 600 novos casos de câncer de mama em 2026, segundo a estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA). Desse total, 410 casos são esperados em Manaus. Na Região Norte, a previsão chega a 2.950 diagnósticos entre mulheres, com taxa estimada de 30,26 casos para cada 100 mil mulheres.
Os números ganham destaque durante o Outubro Rosa, período dedicado à conscientização sobre prevenção, diagnóstico e tratamento do câncer de mama. No Amazonas, a doença está entre os principais tipos de câncer que atingem a população feminina.
No Estado, o INCA estima ainda 620 novos casos de câncer do colo do útero em 2026. Considerando todos os tipos de câncer, exceto os tumores de pele não melanoma, são esperados 2.780 novos casos entre mulheres amazonenses.
Diagnóstico mudou a rotina de Giselly
Foi aos 42 anos que Giselly Lira percebeu que havia algo diferente na própria mama. O sinal apareceu durante um autoexame realizado em 2023 e levou à realização de exames e, posteriormente, de uma biópsia.
O diagnóstico confirmou o câncer de mama.
“Meu mundo caiu. Achei que era o fim”, relembra Giselly.
O tratamento começou com 16 sessões de quimioterapia. Como o tumor não apresentou a resposta esperada, ela precisou passar por uma mastectomia radical e, depois, continuou o tratamento com medicação oral.
Atualmente, Giselly mantém o acompanhamento médico e incorporou à rotina atividades que já faziam parte de sua vida, como exercícios físicos e dança.
A experiência também fez com que ela passasse a observar com mais atenção as mudanças no próprio corpo.
Alterações precisam ser investigadas
Caroço endurecido na mama, mudanças na pele ou no formato da mama, retração do mamilo, saída espontânea de líquido e nódulos nas axilas estão entre os sinais que devem ser avaliados por um profissional de saúde.
A presença dessas alterações não significa necessariamente que exista câncer, mas merece investigação médica.
O oncologista Peter Silva, da Oncológica do Brasil, ressalta que o diagnóstico em fases iniciais pode ampliar as possibilidades de tratamento.
“O câncer de mama é uma doença que pode apresentar diferentes manifestações e, em muitos casos, quanto mais cedo ela é identificada, maiores são as possibilidades de tratamento. Por isso, a mulher precisa conhecer o próprio corpo e procurar avaliação diante de qualquer alteração que não seja habitual”, explica.
Segundo o INCA, aproximadamente quatro em cada cinco casos de câncer de mama ocorrem em mulheres com mais de 50 anos. Isso, porém, não significa que mulheres mais jovens estejam fora do risco, como mostra a história de Giselly.
Prevenção vai além de outubro
Entre os fatores associados ao risco de câncer de mama estão idade, histórico familiar, fatores hormonais, excesso de peso, consumo de bebidas alcoólicas e sedentarismo.
Para o especialista, o Outubro Rosa deve servir como um alerta para que o cuidado continue durante todo o ano.
“A mamografia e os demais exames devem seguir a indicação adequada para cada mulher, levando em consideração idade, histórico familiar, sintomas e outros fatores de risco”, afirma Peter Silva.
O INCA recomenda atualmente o rastreamento mamográfico para mulheres de 50 a 69 anos, a cada dois anos, conforme suas diretrizes de detecção precoce. Mulheres com sintomas ou situações específicas de risco devem buscar avaliação individualizada.
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