A família Bolsonaro leva oito nomes às urnas nas eleições 2026, marcadas para o domingo, 4 de outubro. Condenado e preso por tentativa de golpe de Estado, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) não pode concorrer. Mesmo assim, ele aposta em três filhos, um irmão, a atual mulher, a ex-mulher e dois cunhados para manter o controle do capital eleitoral do grupo.
O levantamento é da Folhapress. A lista inclui candidaturas à Presidência da República, ao Senado, à Câmara dos Deputados e à Câmara Legislativa do Distrito Federal.
No Amazonas, o único nome do clã na urna eletrônica será o de Flávio Bolsonaro, na disputa presidencial. Os demais parentes concorrem pelo Distrito Federal, São Paulo, Santa Catarina e Rio de Janeiro.
Flávio é a aposta de Bolsonaro para o Planalto
Bolsonaro escolheu o filho mais velho, o senador Flávio Bolsonaro (PL), como candidato à Presidência. A decisão transforma Flávio no principal herdeiro político do pai.
A escolha frustrou aliados que preferiam o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), como nome da direita na disputa nacional.
Michelle estreia nas urnas e tenta levar dois irmãos
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) disputa uma vaga no Senado pelo Distrito Federal, na primeira candidatura da carreira. Segundo a Folhapress, ela aparece à frente nas pesquisas de intenção de voto, mas enfrenta desconfiança de parte da própria direita.
Depois de semanas dizendo estar indecisa, Michelle confirmou a candidatura em junho e atribuiu a decisão ao marido.
“Ele [Bolsonaro] quer muito [o mandato dela no Senado], é um desejo do coração dele”, afirmou na ocasião.
A ex-primeira-dama escolheu o irmão Diego Torres (PL) como primeiro suplente. Outro irmão, Eduardo Torres (PL), tenta pela segunda vez uma cadeira de deputado distrital, apoiado na popularidade de Michelle em Brasília.
Irmão e ex-mulher disputam a Câmara dos Deputados
Renato Bolsonaro (PL), irmão do ex-presidente, concorre a deputado federal por São Paulo com o número 2222, um dos mais cobiçados do PL. O histórico pesa contra ele: em oito candidaturas, Renato venceu apenas uma, para vereador de Praia Grande (SP), em 1996.
Rogéria Bolsonaro (PL), mãe de Flávio, Carlos e Eduardo, disputa uma vaga de deputada federal pelo Rio de Janeiro.
Flávio tinha outro plano para a mãe: colocá-la como suplente de Márcio Canella (União Brasil), ex-prefeito de Belford Roxo (RJ), na corrida ao Senado. A articulação ruiu quando Canella foi alvo de busca e apreensão, acabou preso em flagrante com um fuzil calibre 5.56 no carro e desistiu da candidatura.
Carlos e Jair Renan apostam em Santa Catarina
Carlos Bolsonaro (PL) deixou o Rio de Janeiro, onde exerceu sete mandatos seguidos de vereador, para disputar o Senado por Santa Catarina. O estado é um dos mais bolsonaristas do país.
A candidatura de Carlos integra a ofensiva da oposição ao governo federal para conquistar maioria no Senado. Com ela, o grupo pretende aprovar o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Jair Renan (PL), o “filho 04”, abriu o caminho catarinense. Eleito vereador de Balneário Camboriú (SC) em 2024, ele agora tenta uma vaga na Câmara dos Deputados, na metade do mandato municipal.
As faltas dele na Câmara de Vereadores viraram alvo de críticas em setembro. O vereador Marcelo Achutti (MDB) cobrou que o colega se licenciasse e desse lugar ao suplente, como fazem outros candidatos.
Jair Renan justificou as ausências com as visitas ao pai:
“Quase toda quarta-feira eu devo faltar porque eu tenho que visitar meu pai, hoje preso político, perseguido por todas as instâncias”.
Quem ficou fora da disputa
Dos cinco filhos de Bolsonaro, dois não concorrem. Laura, a caçula, tem 15 anos. Eduardo Bolsonaro (PL), autoexilado nos Estados Unidos, chegou a negociar a suplência de senador na chapa de André do Prado (PL) por São Paulo, mas desistiu.
Família Bolsonaro nas eleições 2026 e o eleitor do Amazonas
O eleitor amazonense não vota em Michelle nem em Carlos, mas o resultado deles mexe com o Senado inteiro. Em 2026, a Casa renova dois terços das cadeiras, e cada estado, inclusive o Amazonas, elege dois senadores.
A correlação de forças que sair das urnas vai definir se pautas como o impeachment de ministros do STF avançam no Congresso. Na disputa presidencial, Flávio enfrenta o eleitorado amazonense diretamente.
A votação vai das 8h às 17h, no horário de Brasília, o que corresponde a 7h às 16h no horário de Manaus. A lista completa de candidatos pode ser consultada no DivulgaCandContas, plataforma do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Entenda por que Bolsonaro não pode concorrer
O ex-presidente está inelegível desde junho de 2023. Naquele ano, o TSE o condenou por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação na reunião com embaixadores estrangeiros, em 2022.
Em setembro de 2025, a Primeira Turma do STF condenou Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão pela trama golpista. Ele passou a cumprir a pena em novembro do mesmo ano.
A apuração começa logo após o fechamento das urnas, e o TSE divulga os resultados em tempo real. Se nenhum candidato à Presidência alcançar maioria absoluta dos votos válidos, o segundo turno ocorre no domingo, 25 de outubro.
*Com informações da Folhapress.
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