A revista de fim de semana do jornal britânico Financial Times publicou, no sábado, 26 de setembro, reportagem de capa sobre a família Bolsonaro. O texto trata das disputas internas do clã e da candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência, a pouco mais de uma semana do primeiro turno, marcado para domingo, 4 de outubro.
Assinada pelo jornalista Michael Pooler, a reportagem tem o título “Scandal and succession in the House of Bolsonaro” (“Escândalo e sucessão na Casa dos Bolsonaro”, em tradução livre). O texto também ocupou a manchete do site do jornal ao longo do dia.
O Financial Times define a família como “um clã tão radical quanto disfuncional” e compara os Bolsonaro aos Trump. Para o jornal, os dois clãs representam a fusão entre celebridade, redes sociais e busca pelo poder.
Flávio chega à reta final com vantagem, diz jornal
Segundo a reportagem, Flávio chega à última semana de campanha em momento favorável e mais autoconfiante. O jornal traça cenários para os dois resultados possíveis.
“Se Flávio ganhar, a Casa dos Bolsonaro será consolidada como uma dinastia política”, afirma o texto. Nesse caso, segundo o Financial Times, o senador pressionaria o Congresso por anistia aos condenados pela trama golpista e pelos atos de 8 de Janeiro, com o perdão presidencial como alternativa.
Em caso de derrota, o jornal prevê o fim da era Bolsonaro e espaço para uma direita mais moderada, como a do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). A reportagem avalia que isso, somado à falta de um sucessor claro de Lula no PT, poderia encerrar a polarização em 2030.
O texto também registra que líderes empresariais e setores da centro-direita consideravam Flávio um candidato fraco. Esses grupos, segundo o jornal, buscavam um nome sem o sobrenome Bolsonaro, capaz de atrair o eleitor de centro.
Vídeo de Michelle é ponto de partida da reportagem
O Financial Times abre o texto com o vídeo em que Michelle Bolsonaro acusou Flávio de humilhá-la em uma disputa interna do partido. Para o jornal, o episódio tornou pública uma briga antiga no núcleo da família.
Com base em fonte não identificada, a reportagem descreve como fria, mas civilizada, a relação de Michelle com Flávio e Eduardo. Carlos, segundo o texto, não mantém mais contato com a madrasta.
O que o Financial Times diz sobre Bolsonaro e os filhos
O jornal apresenta Jair Bolsonaro como figura central de um movimento conservador e populista com traços religiosos. O ex-presidente foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado e cumpre pena.
A reportagem lembra que o ministro Alexandre de Moraes supervisionou o julgamento. Em tom irônico, o texto sugere que o mesmo ministro poderia, sem querer, abrir caminho para a libertação do ex-presidente.
Sobre os filhos, o jornal traça perfis a partir de fontes identificadas e anônimas:
- Flávio aparece como o Bolsonaro moderado e afável. O jornal lembra que ele nunca ocupou cargo no Executivo e perdeu a disputa pela prefeitura do Rio em 2016.
- Carlos é descrito como estrategista das redes sociais, de perfil combativo, sem intenção de suceder o pai. O texto relembra que ele estreou na política aos 17 anos, eleito vereador no Rio em 2000.
- Eduardo é apresentado como o filho mais parecido com o pai no estilo. Morando no Texas desde 2025, ele estaria fora da sucessão, segundo o jornal, por correr risco de prisão caso volte ao Brasil.
- Michelle aparece como cristã devota, com atuação em causas como doenças raras e a comunidade surda durante o governo.
Filme sobre Jair entra na lista de desgastes de Flávio
O jornal aponta uma série do que chama de gafes do senador em 2026. Uma delas envolve pedido de dinheiro a um empresário preso, suspeito de fraude bancária, para financiar “Dark Horse”, filme sobre Jair Bolsonaro.
Segundo o Financial Times, o projeto recebeu ao menos US$ 12,3 milhões do empresário. A reportagem cita ainda a foto de Flávio no Salão Oval com Donald Trump, divulgada dias antes de os Estados Unidos anunciarem novas tarifas contra o Brasil.
Desmatamento na Amazônia aparece no balanço do governo
Ao resumir o mandato de Jair Bolsonaro, o jornal cita a aproximação com Trump, a gestão da pandemia de covid-19 e a alta do desmatamento na Amazônia.
A escalada tem registro oficial. Dados do Prodes, sistema de monitoramento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), mostram que o desmatamento na Amazônia Legal passou de 13 mil km² em 2021, a maior taxa desde 2006.
Família não comentou
O Financial Times informou que Flávio e Eduardo Bolsonaro não responderam aos pedidos de entrevista. Michelle se recusou a comentar, e o jornal não conseguiu localizar Carlos e Jair Renan.
O primeiro turno da eleição presidencial ocorre no domingo, 4 de outubro. Se houver segundo turno, a votação será no domingo, 25 de outubro.
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