Manaus (AM) – O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência, usou durante a campanha um apartamento que pertence à empresa do advogado Willer Tomaz, alvo de busca e apreensão da Polícia Federal na operação Sem Desconto. A informação é da revista piauí. O apartamento de Flávio Bolsonaro fica no condomínio L’Adresse, na Vila Nova Conceição, zona sul de São Paulo.
Segundo a revista, o senador permaneceu no imóvel por alguns dias na primeira quinzena de agosto. Moradores relataram à publicação a presença dele e a movimentação de seguranças no condomínio. O apartamento tem cerca de 158 metros quadrados e três vagas de garagem, a poucos minutos do comitê de campanha, na avenida República do Líbano.
O que dizem os envolvidos
A assessoria de Flávio Bolsonaro afirmou à piauí que o candidato se hospedou em hotéis da região. A equipe não esclareceu o uso dado ao apartamento. Procurado pelo Estadão, o senador não respondeu aos pedidos de esclarecimento até a noite de quarta-feira, 16 de setembro.
Willer Tomaz negou inicialmente que o senador tivesse usado o imóvel. Depois, em nota, disse não conhecer Fabiano Zettel nem Daniel Vorcaro e negou qualquer relação pessoal, comercial ou societária com os dois. Ele afirmou ainda que adversários políticos atacam suas atividades “sem qualquer fundamento”.
A assessoria do senador nega que ele e o advogado tenham sociedade, participação empresarial ou negócio em comum.
Segundo a Folha de S.Paulo, uma casa em Angra dos Reis que pertence a Tomaz também acabou usada por Flávio Bolsonaro este ano.
Quem é o alvo da operação Sem Desconto
Willer Tomaz terminou atingido por mandado de busca e apreensão em 4 de agosto, em uma das fases da operação que investiga descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS. A PF sustentou no pedido que o advogado funcionava como “hub financeiro, patrimonial e logístico” de políticos.
Os investigadores apontam repasses de R$ 11 milhões à mulher do senador Weverton Rocha (PDT) e a compra de uma casa para o parlamentar. Tomaz rejeitou vínculo com o esquema, afirmou que não é investigado e disse que a mulher do senador é associada do escritório há anos, o que explicaria os pagamentos.
A cronologia do apartamento
O imóvel teve outro proprietário ligado a investigação. Fabiano Zettel, cunhado e operador financeiro de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, comprou o apartamento em 17 de abril de 2025 por R$ 5,5 milhões, conforme revelou a Folha de S.Paulo.
Em 10 de fevereiro deste ano, Zettel vendeu o apartamento por R$ 3,5 milhões à WT Administração de Imóveis, empresa de Willer Tomaz. Zettel está preso e é apontado pela investigação como integrante de organização criminosa ligada às fraudes no Master. Ele não foi condenado.
O que ainda não está estabelecido
As reportagens publicadas até agora não indicam pagamento pela estadia, contrato de locação ou registro do uso do imóvel na prestação de contas da campanha. Também não há decisão judicial que relacione o senador aos fatos apurados na operação Sem Desconto.
Willer Tomaz não é réu nem denunciado. Ter sido alvo de busca e apreensão não significa acusação formal. O primeiro turno das eleições será em 4 de outubro.
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