Manaus (AM) – Onze pessoas acabaram presas em Autazes, no interior do Amazonas, por suspeita de envolvimento em incêndios criminosos. As prisões foram anunciadas neste domingo (18) pelo governador Roberto Cidade, durante uma reunião para avaliar o avanço das queimadas no Amazonas e definir novas medidas de fiscalização.
O governo estadual determinou o reforço das operações policiais e ambientais nas áreas mais afetadas. A decisão ocorre em meio à crise de fumaça que atinge Manaus e outros municípios, com prejuízos à qualidade do ar e à rotina da população.
As prisões ocorreram no sábado (17), segundo a Polícia Militar do Amazonas (PMAM). Até a divulgação do balanço, as autoridades não haviam detalhado os crimes formalmente atribuídos a cada suspeito nem as circunstâncias individuais das detenções.
A reunião do Comitê Permanente de Enfrentamento a Eventos Climáticos e Ambientais (Copec) reuniu representantes estaduais para avaliar as operações de combate ao fogo. O encontro também antecedeu uma reunião com ministros do Governo Federal, realizada na Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa).
Polícia reforça fiscalização após prisões em Autazes
A Polícia Militar mobilizou mais de 100 agentes do Comando de Policiamento Especializado para ampliar a fiscalização na Região Metropolitana de Manaus. A operação também conta com 25 viaturas destinadas ao patrulhamento de rodovias e áreas com registros de queimadas.
O comandante-geral da PMAM, coronel Klinger Paiva, confirmou as prisões em Autazes e explicou que o policiamento foi direcionado a localidades apontadas pelo Corpo de Bombeiros como áreas de maior incidência de incêndios.
A corporação também mantém apoio aos órgãos ambientais na Operação Tamoiotatá, voltada à fiscalização e à repressão de infrações ambientais.
Roberto Cidade pediu que a população comunique às forças de segurança qualquer suspeita de incêndio criminoso.
“Também determinei que a fiscalização e a repressão sejam intensificadas para identificar e responsabilizar quem estiver provocando queimadas criminosas. Não podemos permitir que ações irresponsáveis coloquem em risco vidas, comunidades, residências e plantações”, afirmou.
A identificação dos responsáveis depende de investigação. As prisões anunciadas não significam que os suspeitos tenham sido condenados.
Bombeiros combateram quase 23 mil focos desde junho
O Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) apresentou um balanço das operações realizadas entre 1º de junho e 17 de outubro.
Nesse período, a corporação registrou 3.748 ocorrências relacionadas a incêndios urbanos e florestais. As equipes também informaram ter combatido 22.974 focos de incêndio.
Do total de focos combatidos, 4.668 estavam em Manaus e 18.306 no interior do estado.
A operação reúne aproximadamente 1,5 mil profissionais, entre bombeiros militares, brigadistas municipais e agentes federais. As equipes utilizam 96 viaturas e atuam em 36 municípios considerados prioritários.
Os números de focos combatidos pelos bombeiros não equivalem aos registros de focos de calor identificados por satélites. São indicadores produzidos por metodologias diferentes.
Amazonas registra 8.165 focos de calor
Dados apresentados pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) apontam 8.165 focos de calor no Amazonas até 17 de outubro.
A Região Metropolitana de Manaus concentrou 3.819 registros, enquanto o sul do estado contabilizou 2.124.
O avanço das queimadas ocorre em um cenário de aumento expressivo dos registros em comparação com 2025.
De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o Amazonas havia registrado 7.815 focos entre janeiro e 12 de outubro. O número representava crescimento de 116% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Apesar do aumento, o acumulado permanecia abaixo da média histórica registrada desde 1998.
Os dados oficiais de monitoramento podem ser consultados no Programa Queimadas do Inpe:
Fumaça em Manaus também vem de outras regiões
A fumaça que encobre Manaus não é provocada exclusivamente por incêndios dentro dos limites da capital.
Segundo a Sema, queimadas registradas no noroeste do Pará, especialmente nos municípios de Óbidos e Juruti, também contribuíram para a poluição atmosférica observada no sábado (17).
O transporte da fumaça depende da direção dos ventos e das condições meteorológicas. Por isso, incêndios distantes podem afetar a qualidade do ar em áreas urbanas.
A crise já provocou mudanças na rotina da população. A Prefeitura de Manaus suspendeu atividades ao ar livre e aulas da rede municipal diante da piora das condições atmosféricas.
A exposição à fumaça representa um risco especialmente para crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias.
Calor, seca e ação humana agravam os incêndios
O comandante-geral do Corpo de Bombeiros, coronel Orleiso Muniz, afirmou que as condições climáticas favorecem a propagação do fogo.
“É importante entender que estamos sob os efeitos mais graves do El Niño. A temperatura muito alta e a umidade relativa do ar muito baixa impactam na maior incidência de incêndios”, declarou.
Ele também destacou a participação humana na origem de parte das ocorrências.
Segundo o comandante, pessoas ateiam fogo deliberadamente, e as chamas podem sair de controle e atingir comunidades, residências e plantações.
O fenômeno El Niño contribui para alterações nos padrões de chuva e temperatura, mas não explica sozinho a ocorrência de queimadas. O uso humano do fogo, especialmente em áreas de desmatamento e manejo irregular da vegetação, também integra o problema.
Governo Federal amplia apoio ao combate aos incêndios
Além do reforço estadual, o Governo Federal anunciou o envio de cinco aeronaves adicionais para as operações no Amazonas. Com isso, o total de equipamentos aéreos disponíveis deverá passar de 11 para 16.
A mobilização envolve as Forças Armadas e órgãos federais responsáveis pelo combate aos incêndios e pela fiscalização ambiental.
Participaram das reuniões em Manaus os ministros João Paulo Capobianco, do Meio Ambiente e Mudança do Clima; Waldez Góes, da Integração e do Desenvolvimento Regional; José Múcio Monteiro, da Defesa; e Wellington César Lima e Silva, da Justiça e Segurança Pública.
O Governo Federal também anunciou R$ 14 milhões para ações emergenciais e a instalação de uma estrutura de coordenação militar em Manaus.
O reforço ocorre enquanto as autoridades estaduais tentam conter os incêndios e identificar possíveis responsáveis por queimadas ilegais.
Fiscalização será testada pela continuidade das operações
O anúncio das 11 prisões marca uma nova etapa da resposta policial à crise ambiental. Entretanto, o resultado das medidas dependerá da continuidade da fiscalização e da apuração das responsabilidades.
O balanço divulgado pelo governo ainda não esclarece quantos dos incêndios registrados no estado foram comprovadamente criminosos, nem apresenta o desfecho das investigações relacionadas às prisões em Autazes.
Essas informações serão importantes para avaliar a efetividade das operações e a responsabilização dos envolvidos.
LEIA MAIS:
Amazonas terá 16 aeronaves contra incêndios florestais
Fumaça piora qualidade do ar em Manaus e suspende eventos
Manaus mantém escolas municipais fechadas nesta sexta-feira (16) por causa da fumaça
Satélite da Nasa registra fumaça de queimadas florestais no AM vista do espaço
Quer receber notícias no seu WhatsApp ?-CLIQUE AQUI
Fale com a Redação: E-mail: [email protected] e WhatsApp: (92) 99148-8431