Expedição no Alto Rio Japurá identifica vestígios que mostram a ocupação humana na Amazônia ao longo de séculos
Manaus (AM) – Uma expedição científica no oeste do Amazonas identificou 50 sítios arqueológicos ao longo do Alto Rio Japurá, próximo à fronteira entre Brasil e Colômbia. O levantamento, conduzido pelo Instituto Mamirauá, revela diferentes fases da ocupação humana na Amazônia e reforça a importância da região para políticas de conservação.
A pesquisa ocorreu entre 9 de fevereiro e 2 de março de 2026 e percorreu cerca de 200 quilômetros de área florestal. Os pesquisadores registraram vestígios arqueológicos e artefatos em superfície, incluindo cerâmicas, gravuras rupestres e áreas de terra preta.



Região concentra “linha do tempo” da Amazônia
Os achados mostram que a região funciona como uma espécie de “linha do tempo” da ocupação humana. Os pesquisadores identificaram vestígios que vão desde períodos pré-coloniais até marcas da presença europeia durante o ciclo da borracha.
Entre os registros encontrados estão:
- cerâmicas antigas
- gravuras rupestres
- restos de construções
- materiais ligados ao período da borracha
- fontes de matéria-prima como arenito e basalto
Segundo o arqueólogo Márcio Amaral, do Instituto Mamirauá, os dados ajudam a entender como os modos de ocupação da região evoluíram ao longo do tempo.
Pesquisa orienta decisões sobre a floresta
O mapeamento integra uma ação coordenada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), que busca reunir dados científicos para orientar decisões sobre o futuro territorial do Alto Japurá.
A área estudada faz parte de um território de aproximadamente 1,7 milhão de hectares de floresta, considerado estratégico para conservação ambiental.
Os dados arqueológicos serão usados junto com informações ambientais e socioculturais para apoiar políticas públicas e proteger áreas vulneráveis a atividades ilegais.
Comunidades tradicionais essenciais
Moradores da região tiveram papel decisivo na pesquisa. Comunitários ajudaram a localizar os sítios arqueológicos e compartilharam conhecimentos históricos sobre a ocupação local.
Segundo os pesquisadores, indígenas e ribeirinhos atuam como “bibliotecas vivas”, preservando memórias e indicando novos achados arqueológicos.
O Instituto Mamirauá mantém parceria com essas comunidades, que participam desde a logística até o registro e preservação dos vestígios.
Relatório será entregue ao IPHAN
Após o trabalho de campo, os pesquisadores vão entregar um relatório detalhado ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).
Os primeiros resultados, apresentados em março, ocorreram durante uma oficina em Manaus com participação das instituições envolvidas.
Instituições envolvidas na pesquisa
Além do Instituto Mamirauá, participaram da ação:
- Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA)
- Field Museum of Natural History (EUA)
- Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA)
- Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM)
- Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB)
- Amazon Conservation Team (ACT)
SAIBA MAIS
- O Instituto Mamirauá atua em pesquisas arqueológicas na Amazônia desde 2001
- A instituição foi reconhecida pelo IPHAN como guardiã de acervo arqueológico em 2008
- A região do Alto Japurá é considerada estratégica para conservação e enfrenta pressões de atividades ilegais
- A arqueologia ajuda a orientar políticas públicas e preservar o patrimônio histórico amazônico
Fontes: Instituto Mamirauá; Ministério do Meio Ambiente; IPHAN
( * ) Conteúdo produzido com informações do Instituto Mamiraúa
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