Três gerações do item 12 dividiram o palco no Bar do Boi e transformaram o Sambódromo em uma experiência marcada por tradição e espiritualidade.
Manaus (AM) – Três gerações do item pajé do Boi Caprichoso dividiram o mesmo palco neste sábado (2), em Manaus, em um encontro raro que conectou passado, presente e continuidade de uma das figuras mais simbólicas do Festival de Parintins.
A apresentação aconteceu durante o Bar do Boi, no Sambódromo, e reuniu Waldir Santana, Neto Simões e Erick Beltrão. O momento ganhou força não apenas pela performance, mas pelo significado cultural de colocar lado a lado diferentes fases da construção do item 12, responsável por representar a espiritualidade amazônica dentro do espetáculo.
Ao longo da noite, o público acompanhou uma sequência de toadas e encenações que misturaram dança, música e elementos ritualísticos. O resultado foi uma experiência que ultrapassou o formato tradicional de show e se aproximou de uma narrativa simbólica sobre identidade e território.
O que representa o pajé no Festival de Parintins
No Festival de Parintins, o pajé é mais do que um personagem cênico. Ele representa a conexão entre o mundo espiritual e a floresta, traduzindo saberes ancestrais em linguagem artística.
Ao longo das últimas décadas, o item evoluiu tecnicamente e ganhou complexidade coreográfica, mas manteve como base a representação de rituais indígenas e da cosmologia amazônica.
O ex-pajé Waldir Santana, um dos nomes históricos do Caprichoso, destacou essa transformação ao relembrar a trajetória do item.
“A gente construiu esse caminho ao longo dos anos. O pajé hoje tem outra dimensão dentro do espetáculo”, afirmou.
Encontro de gerações reforça continuidade cultural
Dividir o palco com diferentes gerações deu ao espetáculo uma dimensão que vai além da performance individual. A presença de Waldir, Neto e Erick evidenciou a transmissão de conhecimento sobre o boi-bumbá.
Antes de entrar em cena, Neto Simões destacou a importância da preparação espiritual ligada ao papel que interpreta.
“Existe uma conexão que precisa ser respeitada. Não é só apresentação, é representação”, disse.
Para Erick Beltrão, o momento também marcou um reconhecimento da própria trajetória no festival.
Bar do Boi antecipa clima de Parintins
O evento reuniu itens oficiais, músicos e grupos tradicionais do Caprichoso, como a Marujada de Guerra, o Corpo de Dança e cantores ligados à história recente do boi.
Durante a madrugada, o Sambódromo se transformou em uma extensão simbólica da arena de Parintins. A participação do público, que acompanhou as toadas e interagiu com as apresentações, reforçou esse clima.
Na parte final da noite, uma encenação com o boi avançando em meio à plateia aproximou artistas e espectadores, criando um momento de imersão coletiva.
Cultura popular movimenta identidade e economia
Eventos como o Bar do Boi funcionam como preparação para o Festival de Parintins, que movimenta a economia criativa do Amazonas e fortalece a identidade cultural da região.
Além do impacto econômico, a continuidade dessas apresentações mantém vivas práticas artísticas que misturam tradição indígena, cultura popular e espetáculo contemporâneo.
SAIBA MAIS
O Festival de Parintins é uma das maiores manifestações culturais do Brasil e coloca em cena a disputa entre os bois Caprichoso e Garantido, com apresentações que combinam música, teatro, dança e elementos da cultura amazônica.






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