A crise amazônica: entre o crime organizado e o abandono indígena

Por Juscelino Taketomi Em meio à celebração do Dia da Amazônia, onde, na verdade, não há nada a comemorar, o presidente do Ibama, Rodrigo Agostinho, em entrevista ao jornal O Globo, destaca a grave situação vivida pela maior floresta tropical do planeta: o avanço do crime organizado e a crise humanitária nas comunidades indígenas devido […]

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Por Juscelino Taketomi

Em meio à celebração do Dia da Amazônia, onde, na verdade, não há nada a comemorar, o presidente do Ibama, Rodrigo Agostinho, em entrevista ao jornal O Globo, destaca a grave situação vivida pela maior floresta tropical do planeta: o avanço do crime organizado e a crise humanitária nas comunidades indígenas devido à seca histórica.

Agostinho enfatiza os avanços na governança ambiental, como a retomada do Plano de Prevenção e Combate ao Desmatamento (PPCDAM) e do Fundo Amazônia, que têm contribuído para a redução do desmatamento.

No entanto, ele alerta para a crescente infiltração do crime organizado na região, utilizando crimes ambientais para lavar dinheiro proveniente do tráfico de drogas. A violência se tornou uma constante, com agentes ambientais sendo recebidos a tiros durante operações de fiscalização, como ocorreu recentemente em Humaitá, no Sul do Amazonas.

Enquanto isso, a reportagem “O ‘novo normal’ da seca no norte”, também publicada no Globo, expõe a situação crítica que as comunidades indígenas do Amazonas enfrentam devido à seca histórica que assola a região, pelo segundo ano consecutivo.

A falta de água potável, o isolamento por conta da dificuldade de navegação nos rios secos e a insegurança alimentar são apenas alguns dos problemas mais angustiantes.

Sem saúde e educação

A reportagem relata o drama de comunidades como a Reserva Extrativista Catuá Ipixuna, onde a única fonte de água, um poço artesiano, depende de energia elétrica, frequentemente interrompida por problemas na rede. O isolamento geográfico impede o acesso a serviços básicos de saúde e educação, agravando ainda mais a situação.

Os indígenas, que sempre se guiaram pelos ciclos naturais da floresta, agora se veem à mercê de eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes e intensos. Anderson Barroso Ortega, representante da etnia Witoto, relata que muitas aldeias estão completamente isoladas e sem acesso à água potável. A escassez de água impede o cultivo de alimentos e agrava os problemas de saúde, especialmente entre crianças e idosos.

De um lado, o presidente do Ibama aponta para a necessidade de combater o crime organizado que se beneficia da exploração ilegal da floresta, e de outro a reportagem de O Globo sobre a seca evidencia o descaso e abandono das comunidades indígenas.

A crise na Amazônia exige ações urgentes em diversas frentes, desde o combate ao crime organizado até a garantia de segurança e dignidade para os povos da floresta. Trata-se de um clamor que deve ecoar bem forte junto às autoridades de Brasília não apenas neste triste dia 5 de setembro, Dia da Amazônia, mas todos os dias.

Juscelino Taketomi
Juscelino Taketomihttps://portalmeuamazonas.com.br/
Jornalista, há 28 anos servidor da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam)

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