*Por : Marcellus Campêlo
A Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOAA) confirmou oficialmente que já estamos sob a influência do fenômeno El Niño, que este ano se formou dois meses antes do que costuma ocorrer.
A expectativa, agora, é com relação a forma como irá se comportar. Segundo os cientistas, há 25% de chance de se transformar em um Super El Niño, uma versão potente, turbinada com os efeitos da mudança climática que já vem ocorrendo, capaz de provocar o aquecimento fora do normal de algumas partes do planeta, causando eventos extremos.
Aquecimento global e El Niño
Essa conjunção entre aquecimento global e o fenômeno El Niño causa preocupação adicional. De acordo com a Organização Mundial Meteorológica (OMM), é de 66% a probabilidade de a média anual de aquecimento ultrapassar 1,5°C, entre 2023 e 2027.
Os sinais de excepcionalidade e da elevação da temperatura no planeta já são sentidos. A primeira semana de julho – de 04 a 07 – está sendo considerada a mais quente já registrada, até então.
Por três vezes, duas delas consecutivas, a temperatura média global atingiu recordes e, pela primeira vez, o dígito de 17ºC foi alcançado.
No dia 03 de julho a temperatura chegou a 17,01ºC. No dia seguinte, 04, foi a 17,18ºC. No dia 06 atingiu 17,23ºC. As medições tiveram início em 1970 e, desse período para cá, o maior pico foi de 16,92ºC, registrado em agosto de 2016.
Houve uma redução recorde na cobertura de gelo na Antártida e aumento da temperatura média do Ártico.
A expectativa é de novos recordes na elevação da temperatura ainda este ano e, nesse caso, não é uma meta a comemorar. Muito pelo contrário.
Tempestade perfeita
O encontro do fenômeno El Niño com os efeitos da mudança climática, causados pelas emissões de gás carbônico na atmosfera, juntamente com a queima de combustíveis fósseis e outras atividades humanas, resultou nessa “tempestade perfeita”.
As ondas de calor já ocorrem em várias partes do mundo, trazendo risco de queimadas e incêndios. É grande a preocupação com a floresta Amazônica e, em muitas partes do país, com as consequências ao agronegócio, atividade econômica forte no Brasil. O calor extremo pode trazer graves prejuízos a todos – às pessoas e ao meio ambiente.
Neste início de mês, a elevação da temperatura é mais um alerta de que estamos caminhando para uma situação extremamente complicada e que medidas enérgicas serão necessárias.
O tema, com certeza, estará em pauta na Cúpula da Amazônia, evento que ocorrerá dia 08 de agosto, em Belém, no Pará, com a participação de delegações do Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela, países que integram a Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA).
A mudança que deve ser operada para frear os efeitos das mudanças climáticas, depende dos níveis de emissões de gases de efeito estufa na atmosfera.
Envolve políticas públicas, uma virada de chave nos processos industriais e nas escolhas do cidadão, optando por produtos e serviços comprometidos com a redução de CO2.
*Marcellus Campêlo é engenheiro civil, especialista em saneamento básico; exerce, atualmente, o cargo de secretário de Estado de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano do Amazonas
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