Mais de 100 veículos recusam publicidade de bets no Brasil

Iniciativa liderada pela Agência Pública reúne sites que decidiram não veicular anúncios de plataformas de apostas online.

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Mais de 100 veículos digitais brasileiros aderiram à iniciativa “Aqui não tem propaganda de bets”, lançada em julho pela Agência Pública e outros veículos de imprensa.

O movimento reúne sites que decidiram não veicular anúncios de plataformas de apostas online. O Portal Meu Amazonas está entre os veículos que aderiram à iniciativa.

A proposta começou em 21 de julho, quando 15 veículos publicaram um editorial conjunto sobre a responsabilidade dos meios de comunicação diante da publicidade de apostas.

Entre os signatários iniciais estavam Agência Lupa, Agência Pública, Alma Preta, Amado Mundo, Aos Fatos, Manual do Usuário, Matinal, Meio, Mobile Time, MyNews, Notícia Preta, NeoFeed, Plural, Portal IMPRENSA e Reset.

Até setembro, mais de 100 veículos haviam aderido ao movimento.

Por que os veículos recusam os anúncios

O editorial afirma que o jornalismo deve priorizar o interesse público e considera incompatível promover apostas enquanto veículos de imprensa produzem reportagens sobre os impactos sociais e econômicos do setor.

Os signatários também defendem regras mais rígidas para a publicidade e para a atuação das empresas de apostas.

A iniciativa sustenta que a aceitação de anúncios de bets poderia entrar em contradição com conteúdos jornalísticos produzidos sobre os riscos associados às apostas.

A posição faz parte de um manifesto editorial dos veículos participantes, e não de uma avaliação independente sobre cada empresa de apostas.

Quanto as famílias perderam com as apostas

Um levantamento do Comitê Nacional de Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz) apontou que as famílias brasileiras tiveram uma perda líquida de R$ 62,5 bilhões com apostas em 2025.

O cálculo considera a diferença entre os valores apostados e os prêmios recebidos. Segundo a Agência Brasil, os dados SÃO baseados em estatísticas de pagamentos via Pix do Banco Central.

No período analisado, as empresas de apostas movimentaram quase R$ 351 bilhões em transações via Pix. O valor perdido pelas famílias correspondeu a 0,68% da Renda Nacional Disponível Bruta das famílias.

O dado não significa que R$ 62,5 bilhões tenham sido retirados diretamente do orçamento de todas as famílias brasileiras. Trata-se da perda líquida agregada dos apostadores no período considerado pelo estudo.

Como o setor terminou legalizado

As apostas de quota fixa para eventos esportivos foram legalizadas no Brasil pela Lei 13.756/2018.

Em 2023, a Lei 14.790 ampliou a modalidade para incluir os chamados jogos on-line e estabeleceu regras para a exploração do setor. O Ministério da Fazenda passou a exercer a função de regulação e autorização das empresas.

Desde 1º de janeiro de 2025, somente empresas autorizadas pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda podem operar nacionalmente dentro do mercado regulado.

Governo discute novas restrições

A discussão sobre o futuro das bets ganhou força nesta semana. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, em evento no Rio de Janeiro, que pretende acabar com as bets e regular as plataformas.

Segundo reportagem da colunista Alicia Klein, do UOL, o governo preparava uma Medida Provisória para proibir a operação das bets e previa encaminhar o texto para assinatura presidencial em 25 de setembro.

O tema também provoca reação de setores que dependem financeiramente das apostas. Clubes de futebol, por exemplo, defenderam a manutenção de empresas autorizadas e manifestaram preocupação com os efeitos de uma eventual proibição sobre o financiamento do esporte.

Portal Meu Amazonas está entre os signatários

O Portal Meu Amazonas está entre os veículos que aderiram à iniciativa “Aqui não tem propaganda de bets”.

A relação inclui veículos de diferentes áreas e regiões do país. A lista divulgada pela iniciativa reúne, entre outros, Agência Pública, Agência Lupa, Amazônia Vox, Amazonas Atual, Conexão Planeta, ICL Notícias, Ponte Jornalismo, Portal Meu Amazonas, The Conversation Brasil e TI Inside.

A adesão significa que o veículo participa da iniciativa e não veicula publicidade de bets, conforme as regras estabelecidas pelo movimento.


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Gláucia Chair
Gláucia Chairhttps://portalmeuamazonas.com.br/
Gláucia Chair é jornalista, pesquisadora e professora, com mais de 25 anos de atuação no mercado de comunicação e educação. CEO do Portal Meu Amazonas, também atua como consultora em conteúdo digital e estratégias de mídia. É Master em Jornalismo pelo Instituto Superior de Educação (ISE) e possui especializações em Literatura Moderna e Pós-Moderna, Docência do Ensino Superior e Comunicação, Design e Multimídia. Membro da Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil (AJEB), Gláucia se destaca pela defesa da valorização da produção jornalística e intelectual na Amazônia. Ao longo de sua trajetória, colaborou com veículos de destaque como Portal Amazônia, Jornal e Portal Em Tempo, Portal Radar 10, Revista ECO, Portal Vanguarda do Norte, i9Brasil e Portal Em Pauta.

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