Itacoatiara (AM) – Um empresário de 54 anos foi preso preventivamente pela Polícia Civil do Amazonas nesta quinta-feira (30), em Itacoatiara (a 176 km de Manaus). Dono de uma rede de supermercados, ele é acusado de usar sua posição de poder para abusar sexualmente de pelo menos cinco funcionárias dentro do próprio estabelecimento.
O “Modus Operandi” do Abuso
As investigações, conduzidas pela Delegacia Especializada de Polícia (DEP) de Itacoatiara, revelaram um padrão perverso de comportamento. Segundo a delegada Renata Viana, o empresário seguia um roteiro para cometer os crimes:
- Isolamento: Chamava as funcionárias individualmente até o seu escritório.
- Escuridão Digital: Desligava propositalmente as câmeras de segurança antes de iniciar os abusos.
- Violência: Em um dos casos mais graves, ocorrido em fevereiro, o homem usou força física para beijar e imobilizar uma vítima, o que caracterizou o crime de estupro.
Coação e Intimidação
A primeira denúncia surgiu em fevereiro, levando à prisão temporária do suspeito em abril. No entanto, com o avançar do inquérito, outras quatro mulheres criaram coragem para denunciar o chefe, relatando humilhações públicas, propostas inadequadas e toques indesejados.
A delegada ressaltou que o empresário aproveitava sua posição de superioridade hierárquica para intimidar as vítimas. “Ficou demonstrado que, em liberdade, elas corriam sério risco de serem coagidas”, afirmou Viana. Diante da gravidade e do risco à instrução do processo, a Justiça converteu a prisão em preventiva.
ENTENDA
Diferente do que muitos pensam, o crime de estupro (Art. 213 do Código Penal) não exige penetração; qualquer ato libidinoso praticado mediante violência ou grave ameaça — como um beijo forçado com uso de força física — configura o crime. Além disso, a importunação sexual e o assédio em ambiente de trabalho são agravados pela relação de hierarquia, onde o agressor utiliza o medo do desemprego para silenciar as vítimas.
O homem vai responder pelos crimes de estupro qualificado e importunação sexual e ficará à disposição da Justiça.
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