Manaus (AM) – Familiares e amigos da soldado Deusiane Pinheiro tomaram as ruas na manhã desta terça-feira (1º) em um protesto por justiça, reunindo-se em frente ao Fórum Henoch Reis, na Zona Centro-Sul de Manaus. Antônia Assunção, mãe da policial, liderou a manifestação.
“Dez anos que eu só ando com escolta. Isso é vergonhoso para o Ministério Público, isso é vergonhoso para a auditoria militar. Mataram a Deusiane dentro da instituição e até hoje a justiça não fez o seu papel, até hoje a justiça não chegou. Eu clamo por justiça, promotores e promotoras, juízes e juízes, eu clamo por justiça”, disse a mãe de Deusiane.
Denúncia e indícios de fraude
O Ministério Público do Estado do Amazonas (MP-AM) denunciou à Justiça, em julho de 2017, cinco policiais militares pelo assassinato da soldada do Batalhão Ambiental da PM, Deusiane da Silva Pinheiro.
A morte ocorreu no dia 1º de abril de 2015, na base flutuante do Batalhão Ambiental, no bairro Tarumã, zona Oeste de Manaus.
Versões
Na denúncia oferecida pelo MP-AM, o Cabo PM Elson dos Santos Brito é apontado como o autor do disparo que matou a soldada. Os cabos Jairo Oliveira Gomes, Cosme Moura Souza, Narcízio Guimarães Neto e o soldado Júlio Henrique da Silva Gama foram denunciados por falso testemunho.
A denúncia contraria a versão de suicídio apresentada por Elson dos Santos Brito, tomando por base os laudos periciais das armas apresentadas, os registros lançados pelo armeiro Jairo Oliveira Gomes e os depoimentos colhidos.
Segundo o Promotor de Justiça Edinaldo Aquino Medeiros, em denúncia, Elson matou Deusiane, trocou o ferrolho de sua arma com o ferrolho de outra arma e a apresentou como a usada no suicídio.
A análise dos registros do armeiro Jairo Gomes apontou que a arma apresentada como a que teria sido usada por Deusiane para cometer o suicídio estava acautelada para o sargento B. Andrade.
A perícia constatou, ainda, que o ferrolho desta arma, onde havia maior concentração de sangue da vítima, havia sido trocado com o ferrolho da arma acautelada para Elson dos Santos Brito.
A troca dos ferrolhos teria sido feita com a conivência dos demais PMs acusados.
Conflito amoroso e motivação para o crime
No dia do crime, estavam no piso superior da embarcação ‘Peixe-Boi’ o denunciado Elson e a vítima. No piso inferior, estavam o soldado PM Júlio Gama e os cabos PM Jairo Gomes, Cosme Sousa e Narcízio Neto.
Em depoimento, os quatro confirmaram a versão de suicídio apresentada por Elson, alegando ter ouvido barulho no piso superior seguido de disparo de arma de fogo e que, ao subirem a escada, encontraram Elson e a vítima Deusiane ferida no chão.
Ciúmes
O casal vivia uma relação conturbada pelo ciúme excessivo de Elson. Testemunhas relatam que a situação entre eles se agravou depois que Elson reatou com a ex-companheira, insistindo em manter o relacionamento com Deusiane, que não aceitava o triângulo amoroso. A vítima exigiu uma solução para o impasse e acabou sendo assassinada.
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