Japurá (AM) — A Polícia Civil do Amazonas prendeu em flagrante, nesta segunda-feira (26), um homem de 51 anos acusado de matar o próprio filho, de 3 anos, e de agredir violentamente a ex-companheira, de 28 anos, no município de Japurá, a 744 quilômetros de Manaus. A prisão, realizada pela 59ª Delegacia Interativa de Polícia (DIP), contou com apoio da Guarda Civil Municipal (GCM).
Segundo a Polícia Civil, o caso ocorreu após uma discussão entre o suspeito e a ex-companheira. Conforme as investigações iniciais, o homem teria administrado intencionalmente uma substância venenosa à criança. A vítima terminou socorrida e levada ao hospital, mas não resistiu.
Violência doméstica antecedeu o crime
De acordo com o delegado Jandervan Rocha, a mulher manteve relacionamento com o suspeito por cerca de oito anos, marcado por ciúmes excessivos, agressões verbais e comportamento possessivo. O casal estava separado havia aproximadamente dois meses.
Segundo o delegado, no sábado (24), o homem buscou o filho sob a alegação de que deixaria a cidade. No dia seguinte, a mãe encontrou o suspeito consumindo bebida alcoólica na presença da criança e pediu a devolução do menino, mas houve recusa por parte do pai.
Ainda conforme a Polícia Civil, o homem levou a criança à força para um hotel do município, onde passou a ameaçar e agredir fisicamente a ex-companheira, na presença do filho. A vítima sofreu lesões no rosto e acabou socorrida por funcionários do local, sendo encaminhada ao hospital.
Prisão e apreensão de substância tóxica
Após o atendimento à vítima, equipes da Polícia Civil e da Guarda Municipal foram até o hotel e encontraram o suspeito com a criança. Conforme informou a corporação, ele confessou a agressão e recebeu voz de prisão em flagrante.
Durante a vistoria no quarto, os policiais apreenderam copos contendo uma substância escura, semelhante ao veneno conhecido como “chumbinho”, além de um frasco plástico. Inicialmente, não havia confirmação de envenenamento da criança.
Horas depois, o menino deu entrada no hospital em estado grave de intoxicação e morreu. Segundo a equipe médica, a causa provável da morte ocorreu por envenenamento, informação a ser confirmada por laudos periciais.
Investigação e responsabilização
De acordo com o delegado-geral da Polícia Civil, Bruno Fraga, a corporação atuou de forma imediata após acionada e conseguiu prender o suspeito no mesmo dia.
O diretor do Instituto Médico Legal, Sérgio Machado, informou que exames periciais e análise do prontuário hospitalar vão esclarecer o nexo causal da morte, mas, até o momento, tudo indica intoxicação por substância venenosa.
O homem permanece internado sob escolta policial e, segundo a Polícia Civil, não corre risco iminente de morte. Ele responderá por homicídio qualificado, além de lesão corporal grave e violência psicológica no contexto de violência doméstica, ficando à disposição da Justiça.
Enquadramento legal
O caso é investigado com base na Lei nº 11.340/2006 (Lei Maria da Penha), que trata da violência doméstica e familiar contra a mulher, e no Código Penal Brasileiro, que prevê punição agravada para homicídio praticado contra descendente.
Canais de denúncia
Casos de violência doméstica podem ser denunciados de forma gratuita e sigilosa:
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