Justiça Federal leva a júri popular réus acusados pelos assassinatos de Dom e Bruno

A defesa dos réus afirmou que vai recorrer da decisão.

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A Justiça Federal acatou a denúncia do Ministério Público Federal (MPF) e determinou que Amarildo da Costa Oliveira, Oseney da Costa de Oliveira e Jefferson da Silva Lima — acusados de assassinar o indigenista Bruno Pereira e o jornalista Dom Phillips — vão a júri popular. A defesa dos réus afirmou que vai recorrer da decisão.

“A garantia da ordem pública estaria em risco com a soltura dos réus. O crime teve repercussão internacional, assim soltar os réus quando a instrução processual provou indícios de cometimento de dois homicídios seguidos da ocultação de cadáveres causaria comoção popular”, destacou o juiz federal Weldeson Pereira Pessoa, da Comarca de Tabatinga

Amarildo da Costa Oliveira está preso na Penitenciária Federal de Catanduvas, Paraná; Oseney da Costa de Oliveira, está preso na Penitenciária Federal de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul e Jefferson da Silva Lima também está preso na Penitenciária de Campo Grande. A defesa dos réus informou em nota que vai recorrer da decisão.

Caso Dom e Bruno

Bruno e Dom desapareceram em 5 de junho enquanto estavam navegando próximo à comunidade de São Rafael. Os restos mortais dos dois foram encontrados 10 dias depois, quando Amarildo Oliveira confessou o crime e levou os agentes e os indígenas que ajudavam nas buscas ao local onde os corpos estavam sepultados.

A região da reserva indígena do Vale do Javari, a segunda maior do país, com mais de 8,5 milhões de hectares, concentra o maior número de indígenas isolados. Bruno Pereira denunciou que estaria sofrendo ameaças na região. O indigenista estava atuando como colaborador da União das Organizações Indígenas do Vale do Javari (Univaja).

O indigenista Bruno Pereira era servidor da Funai e a exoneração dele ocorreu na época em que o presidente Jair Bolsonaro (PL) apresentou um projeto para liberar garimpos nas reservas indígenas. Dom Phillips era jornalista colaborador do veículo britânico The Guardian. Com o apoio da Fundação Alicia Patterson, Dom trabalhava em um livro sobre a Amazônia.

Segundo a Polícia Federal, o mandante do crime foi Rubén Dario da Silva Villar, conhecido como “Colômbia”, que tinha conexão direta com Amarildo. Além de Oseney, Amarildo e Jefferson, Rubén também foi preso – foi solto após pagar fiança de R$ 15 mil, em outubro, mas foi preso novamente em dezembro após desrespeitar as determinações da Justiça Federal durante a liberdade provisória.

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