Projeto de Lei 957/2025, de autoria do deputado Wilker Barreto, reconhece atuação cultural e ambiental da representante do Boi Caprichoso
Manaus (AM) – A Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas aprovou, nesta quarta-feira (25), o Projeto de Lei nº 957/2025, que concede o título de Cidadã Amazonense à cunhã-poranga do Boi-Bumbá Caprichoso, Marciele Albuquerque, natural de Juruti, estado do Pará. A proposta é de autoria do deputado estadual Wilker Barreto (Mobiliza) e havia sido protocolada em novembro de 2025.
A entrega da honraria ocorrerá em sessão especial da Casa Legislativa, em data ainda a ser definida pela Mesa Diretora.
Reconhecimento institucional à representação cultural
Durante a votação em plenário, Wilker Barreto justificou que a homenagem reconhece a trajetória pública da artista para além da arena do Festival de Parintins.
“As razões que me levaram a apresentar esse título foram a luta da Marciele como ativista na defesa dos povos originários e sua atuação na valorização da cultura amazônica”, afirmou o parlamentar.
A proposta terminou aprovada sem divulgação de votos contrários no material encaminhado à imprensa. Até o momento, a Aleam não detalhou o quórum da votação.
Atuação cultural e pauta ambiental
Na justificativa do projeto, o deputado destaca que Marciele se consolidou como símbolo da força e da ancestralidade da mulher amazônica, projetando o nome do Amazonas em eventos nacionais e internacionais.
Segundo o texto legislativo, ela participou de agendas como a Climate Week NYC, Youth4Climate e COP29, levando pautas relacionadas à preservação ambiental e aos povos indígenas.
A professora de antropologia cultural da região Norte, Edila Ferreira, avalia que figuras do Festival de Parintins assumiram, nos últimos anos, um papel político-cultural mais amplo.
“As personagens do boi-bumbá deixaram de ser apenas símbolos folclóricos. Hoje, elas ocupam espaços de debate sobre identidade, meio ambiente e direitos indígenas”, analisa a especialista.
🔎 Bloco explicativo
O que é o título de Cidadã Amazonense?
A honraria é concedida pela Assembleia Legislativa a pessoas que, mesmo não sendo naturais do Amazonas, prestaram relevantes serviços ao estado nas áreas cultural, social, política ou econômica.
A concessão ocorre por meio de projeto de lei aprovado em plenário e formalizado em sessão especial.
Empreendedorismo e protagonismo feminino
Além da atuação artística e ambiental, Marciele também desenvolve projetos ligados ao empreendedorismo. Ela criou a marca “Vai de Cunhã”, voltada à valorização da estética amazônica, moda sustentável e fortalecimento do protagonismo feminino.
Para a economista e pesquisadora de economia criativa no Amazonas, Michele Lins, iniciativas desse perfil ampliam o impacto cultural.
“Quando a liderança cultural se transforma em modelo de negócio sustentável, ela gera renda, autoestima e representatividade. Isso fortalece toda a cadeia da economia criativa”, afirma.
Cultura, identidade e projeção internacional
A aprovação do título ocorre em um momento de fortalecimento das pautas ambientais e identitárias no cenário global. O Festival de Parintins, historicamente, já projeta o Amazonas internacionalmente, mas seus protagonistas passaram a ocupar também fóruns políticos e ambientais.
Nesse contexto, o reconhecimento legislativo sinaliza apoio institucional a uma liderança feminina que articula cultura popular, defesa ambiental e empreendedorismo.
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