MP aciona Justiça por crise na saúde em Boca do Acre

Ministério Público do Amazonas aponta irregularidades graves no Hospital Regional Maria Geny de Lima, incluindo falhas em plantões, controle de servidores e atendimento infantil especializado.

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Manaus (AM) – A crise na saúde pública de Boca do Acre levou o Ministério Público do Amazonas (MPAM) a acionar a Justiça contra o Governo do Amazonas e a Prefeitura do município. O órgão identificou uma série de irregularidades no Hospital Regional Maria Geny de Lima, principal unidade de atendimento da região, e pediu medidas urgentes para reorganizar os serviços e garantir assistência à população.

A ação civil pública, ajuizada pela Promotoria de Justiça de Boca do Acre, sustenta que o problema não envolve falhas isoladas, mas um quadro estrutural de precariedade hospitalar, desorganização administrativa e indefinição sobre responsabilidades entre estado e município.

Segundo o promotor de Justiça Marcos Patrick Sena Leite, responsável pela ação, a investigação apontou fragilidade no controle de plantões e servidores, dificuldades de acesso da população a atendimentos essenciais e insuficiência de serviços especializados.

“O Ministério Público atua para garantir que o direito fundamental à saúde seja prestado de forma efetiva, especialmente em uma comarca distante dos grandes centros, onde a população depende diretamente da estrutura local para urgências e serviços essenciais”, afirmou o promotor.

Hospital regional virou centro da investigação

O Hospital Regional Maria Geny de Lima, referência em atendimentos de baixa e média complexidade, urgência e emergência em Boca do Acre, aparece como o principal foco da investigação.

Entre os problemas apontados pelo MPAM estão:

  • ausência de controle seguro de escalas médicas;
  • estudantes estrangeiros de medicina atuando sem supervisão adequada;
  • uso de carimbos médicos por terceiros;
  • atrasos de profissionais plantonistas;
  • suspeita de substituição irregular de servidores.

A investigação também indica que servidores estaduais e municipais teriam permitido ou negociado trocas informais de plantões por pessoas sem vínculo com o serviço público. Segundo o Ministério Público, a prática pode comprometer a segurança dos pacientes e configurar improbidade administrativa.

Outro ponto crítico envolve crianças e adolescentes que aguardam atendimento especializado. O MP afirma que existe demanda reprimida para serviços de fonoaudiologia, psicologia, fisioterapia, terapia ocupacional e consultas médicas especializadas.

O que o MP pede na Justiça

Na ação, o Ministério Público solicita medidas emergenciais para reorganizar o funcionamento da rede de saúde em Boca do Acre.

Entre os principais pedidos estão a apresentação de um diagnóstico imediato da situação do hospital, regularização de escalas médicas, controle efetivo da presença de profissionais e garantia da continuidade dos atendimentos especializados.

O órgão também pede que estado e município definam claramente quem responde por cada área da rede de saúde, incluindo hospital regional, contratos médicos, transporte sanitário, atendimento pré-hospitalar e assistência multiprofissional infantil.

A ação requer ainda informações detalhadas sobre o funcionamento do transporte de urgência no município, incluindo frota disponível, tempo de resposta e número de atendimentos realizados nos últimos 12 meses.

Além disso, o MPAM quer que órgãos de fiscalização e conselhos profissionais participem de uma audiência de contextualização para discutir soluções e acompanhar a execução das medidas.

O que pode mudar para a população

Se a Justiça conceder os pedidos de urgência, o município e o estado terão de apresentar um plano imediato para reorganizar os serviços de saúde, corrigir irregularidades e ampliar a transparência sobre o funcionamento do hospital.

O Ministério Público também pede relatórios periódicos sobre o cumprimento das medidas e divulgação de informações em linguagem acessível à população, preservando dados sigilosos de pacientes.


Boca do Acre

Boca do Acre fica no sul do Amazonas, distante dos grandes centros hospitalares do estado. Por isso, o Hospital Regional Maria Geny de Lima desempenha papel estratégico no atendimento de urgência, emergência e casos de média complexidade. Falhas operacionais na unidade podem aumentar o tempo de espera, dificultar atendimentos especializados e afetar diretamente moradores que dependem exclusivamente do SUS.


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