A empresa de inteligência artificial OpenAI, responsável pelo ChatGPT, anunciou nesta quarta-feira, dia 27 de maio, um plano para reduzir o uso de inteligência artificial em campanhas de desinformação durante as eleições de 2026 no Brasil. A iniciativa inclui medidas contra conteúdos enganosos produzidos por IA, monitoramento de uso político indevido e combate a vídeos manipulados conhecidos como “deepfakes”.
Segundo comunicado divulgado pela empresa, a estratégia prevê colaboração com plataformas digitais e sistemas de identificação para ajudar usuários a reconhecer conteúdos criados ou modificados por inteligência artificial. A OpenAI também informou que pretende restringir o uso de suas ferramentas para produção massiva de mensagens políticas enganosas ou campanhas manipulativas.
O anúncio ocorre em um momento de preocupação crescente com o impacto da IA nas eleições brasileiras. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já endureceu regras para o pleito de 2026, ampliando restrições ao uso de conteúdo artificial em propaganda política e mantendo a proibição de deepfakes eleitorais — vídeos, imagens ou áudios manipulados para simular falas ou ações que nunca aconteceram.
O que muda nas eleições de 2026
Pelas regras eleitorais brasileiras, conteúdos gerados por inteligência artificial podem ser utilizados apenas quando houver identificação clara ao eleitor. Já materiais manipulados para enganar ou prejudicar candidatos continuam proibidos.
O professor de Direito Eleitoral e Direito Digital Alexandre Basilio explicou que a regra busca proteger a confiança do eleitor.
“A regra central é a proteção da confiança do eleitor”, afirmou o especialista ao comentar as normas do TSE sobre IA nas eleições.
A OpenAI também informou que investirá em mecanismos de “procedência digital”, tecnologia que busca indicar se determinado conteúdo foi criado ou alterado por inteligência artificial. A empresa ainda não detalhou como esses marcadores funcionarão na prática para usuários brasileiros.
Por que o Amazonas deve prestar atenção
No Amazonas, onde grupos de WhatsApp e compartilhamento de vídeos têm forte influência política — especialmente no interior — especialistas alertam para maior vulnerabilidade à circulação rápida de conteúdos manipulados.
Vídeos falsos simulando candidatos, montagens de voz e imagens hiper-realistas podem se espalhar rapidamente em aplicativos de mensagens, tornando mais difícil distinguir informação verdadeira de manipulação digital. O próprio TSE tem tratado o avanço da IA como uma das principais preocupações para 2026.
Durante cobertura recente sobre o tema, o coordenador da Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Político (Abradep), Sidney Sá das Neves, alertou para o potencial dos deepfakes.
“Hoje, os deepfakes são tão sofisticados” que podem colocar palavras na boca de alguém que nunca falou aquilo, afirmou o especialista à CNN.
Como identificar possível fake news feita com IA
Antes de compartilhar um vídeo político, especialistas recomendam alguns cuidados:
desconfiar de vídeos muito emocionais ou escandalosos;
verificar se a informação aparece em veículos confiáveis;
observar cortes estranhos na fala, voz artificial ou sincronização labial incomum;
buscar confirmação em fontes oficiais.
SAIBA MAIS
O TSE regulamentou o uso de inteligência artificial na propaganda eleitoral ainda nas eleições municipais de 2024. Para 2026, as regras foram ampliadas: deepfakes seguem proibidos e conteúdos gerados por IA precisam de identificação clara ao eleitor. O objetivo é reduzir o impacto da desinformação digital no processo democrático.
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