Deputado cita risco de retorno do El Niño em 2026 e pede medidas antecipadas para evitar desabastecimento no interior
Manaus (AM) – O deputado estadual Wilker Barreto alertou nesta terça-feira (19), na tribuna da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), para o risco de uma nova seca severa atingir o estado no segundo semestre de 2026 e cobrou do poder público um plano emergencial para reduzir impactos sobre a população do interior.
Durante o pronunciamento, o parlamentar citou a possibilidade de retorno do fenômeno climático El Niño, associado historicamente à redução das chuvas na Amazônia e ao agravamento das estiagens.
O alerta ocorre após o Amazonas enfrentar, entre 2023 e 2024, uma das piores secas já registradas, com rios em níveis mínimos históricos, isolamento de comunidades, colapso logístico e dificuldades de abastecimento em dezenas de municípios.
“Nós estamos falando de mais de 2 milhões de habitantes que moram no interior. Desses, quase 800 mil vivem em comunidades e podem sofrer muito, principalmente com o desabastecimento”, afirmou Wilker durante discurso na Aleam.
Existe risco real de nova seca em 2026?
Modelos climáticos internacionais monitorados por órgãos como a Organização Meteorológica Mundial e a agência climática dos Estados Unidos indicam aumento da probabilidade de formação de um novo El Niño ainda em 2026. No entanto, cientistas ressaltam que ainda é cedo para prever a intensidade dos impactos regionais na Amazônia.
Segundo projeções recentes, há possibilidade de o fenômeno climático se desenvolver entre o meio e o fim deste ano, alterando padrões de chuva e temperatura em diferentes regiões do planeta. Para a Amazônia, episódios de El Niño costumam estar associados à redução das chuvas, aumento do calor e maior risco de estiagem severa.
Especialistas lembram, porém, que a intensidade do evento ainda não está definida e que previsões climáticas para o segundo semestre tendem a ganhar maior precisão nos próximos meses.
O que uma nova seca pode causar no Amazonas
A seca histórica de 2023 mostrou os impactos concretos de uma estiagem extrema no Amazonas.
Naquele período, municípios ficaram isolados após rios atingirem níveis mínimos recordes, alimentos e combustíveis enfrentaram dificuldades de transporte, escolas interromperam atividades e comunidades ribeirinhas sofreram escassez de água potável. Também houve aumento das queimadas e impactos ambientais severos, incluindo mortandade de peixes e botos.
No interior do Amazonas, os rios funcionam como principal via de transporte de pessoas, medicamentos, alimentos e combustível. Em muitos municípios, a queda drástica do nível das águas pode comprometer o acesso a serviços básicos.
Deputado pede plano emergencial antecipado
Na tribuna, Wilker Barreto defendeu a construção imediata de um plano emergencial para enfrentar possíveis impactos da estiagem.
O parlamentar propôs que órgãos ambientais, Defesa Civil, especialistas e representantes do governo sejam chamados para discutir ações preventivas antes do agravamento do cenário.
“Precisamos ter noção da dimensão dessa ameaça de estiagem severa, que causa crise hídrica e falta de água potável no interior”, afirmou.
O deputado também citou possíveis reflexos econômicos, sobretudo para municípios dependentes do transporte fluvial e do abastecimento regional.
O que pode ser feito antes de uma nova estiagem
Entre as medidas normalmente adotadas em períodos de seca severa estão:
- antecipação de estoques de alimentos e medicamentos no interior;
- dragagem emergencial em trechos críticos de rios;
- reforço no abastecimento de água potável;
- ampliação da assistência às comunidades ribeirinhas;
- monitoramento hidrológico e climático contínuo.
Até o momento, o Governo do Amazonas não anunciou um plano específico para eventual agravamento climático em 2026.
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